bueiro, me abrace forte!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011


Verifico que não passei por tudo impunemente, e olho
meu amor atônita, os braços imóveis cheios de
sangue. Delírio de lucidez, quero escrever
longas cartas delirantes, reatá-las com
os punhos rasgados, marcá-las a todos com
os polegares maciços e tesos.
Também desta retórica sinto raiva, mas é raiva
tristemente mansa, retardada dentro do trabalho.
Raiva presa no velho jogo e que me alimenta de
estilo. (escondendo a razão da ferida).
Quero esta retórica depois de mim,
me levando irrevogavelmente.
O que é exatamente que insiste em vir atrás?
Viver é esquisitíssimo.

EQUÍVOCOS

               Ana Cristina César

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