bueiro, me abrace forte!

terça-feira, 3 de maio de 2011

inspiração

ninguém saberia dizer o exato momento em que começou. teria sido com um sim, um disparo. ninguém jamais saberá. nenhuma alma estava atenta o suficiente. ninguém prestou atenção naquele par de olhos fixos no jornal. o cigarro queimava no cinzeiro,  entre o agora e o depois. entre as duas mesas rodeadas de cadeiras. o diabo flutuava com a fumaça. dançavam o diabo e a fumaça.  já não era de se estranhar. mordiscou os lábios, passou a língua em seguida. assim tão longe seria impossível sentir o gosto do outro. a mão então procurou a urgência dentro dos bolsos da calça  jeans, os dedos trêmulos e a perna bamba: onde estará? os olhos cansados percorreram o ambiente: não há. e então? uma caneta antes que a ideia fuja. antes que se torne suja demais para publicar. a ânsia subindo pela garganta não vai esperar. seria vômito ou arroto? o garçom passou ao lado e ela estendeu a mão: - caneta? enfim, caneta. o mundo fez silêncio. deitou as letras no guardanapo. descreveu como era bonito o rapaz. houve alívio. mentiu mais um amor. mas sem fingir a loucura.

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