bueiro, me abrace forte!

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Minha imaginação morreu de fome.

terça-feira, 24 de maio de 2011

"Sempre penso em sumir. Algo como não deixar marcas. Durante um tempo só. Voltar um ano depois ou mesmo um mês, mas sumir. Pra algum lugar qualquer, pra uma cidadezinha no interior da França, um hotel fuleiro na Cidade do México, ou para uma Kitchenete num bairro qualquer do Rio de Janeiro, sei lá. Mas não deixar marcas. O celular desligado no fundo da mochila. E depois voltar, com a barba mais ou menos grande, o cabelo comprido, a cara de velho louco e um novo livro de poemas."

Mário Bortolotto

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Love Affair

Verdade que eu cheguei mal intencionada. Verdade também que eu não esperava uma paixão à primeira vista. Aquela situação me pegou desprevenida. Entrei no bar e lá estava ela: no balcão. Uma loira linda com ar boêmio. Fui em sua direção, mas antes que pudesse ensaiar qualquer palavra, notei que estava acompanhada. Diabos, fiquei desconsertada. Puxei um banco ao lado e pedi uma igualzinha. Matei a loira ali mesmo. Gostosa. Gelada. Aquela loira se acabou todinha comigo em quatro... goles.

sábado, 14 de maio de 2011

quarta-feira, 11 de maio de 2011

O amor resolveu tirar férias, preparou suas malas e partiu. Não se despediu, não deixou bilhete, simplesmente foi embora. Mas o amor não contava com seu destino: pegou a rota errada e agora está perdido, no meio do deserto, sem bebida e sem comida. Na areia já desenhou um S.O.S. e aos deuses já fez preces.

O amor sobrevive?

terça-feira, 10 de maio de 2011

O mundo está dividido entre os que trepam e os que não trepam

Florentino Ariza se lembrou de uma frase que ouvira menino do médico da família, seu padrinho, a propósito da sua prisão de ventre crônica: "O mundo está dividido entre os que cagam bem e os que cagam mal." Sobre esse dogma o médico elaborara toda uma teoria do caráter, que considerava mais certeira do que a astrologia. Mas com as lições dos anos, Florentino Ariza a formulou de outro modo: "O mundo está dividido entre os que trepam e os que não trepam." Desconfiava dos últimos: quando saíam dos trilhos, era para eles tão insólito que alardeavam o amor como se tivessem acabado de inventá-lo. Os que o faziam amiúde, em compensação, viviam só para isso. Sentiam-se tão bem que se comportavam como sepulcros lacrados, por saberem que da discrição dependia sua vida. Nunca falavam de suas proezas, não confiavam em ninguém, bancavam os distraídos até o ponto de ganharem fama de impotentes, de frígidos, e sobretudo de maricás tímidos, como era o caso de Florentino Ariza. Mas se compraziam no equívoco, porque o equívoco também os protegia. Eram uma loja maçônica hermética, cujos sócios se reconheciam entre si no mundo inteiro, sem necessidade de um idioma comum. Daí o fato de Florentino Ariza não se surpreender com a resposta da moça: era uma dos seus, e portanto sabia que ele sabia que ela sabia.

O amor nos tempos do cólera - Gabriel Garcia Marquez

sábado, 7 de maio de 2011

Você prefere não fazer nada

Assim olhando, de repente você se percebe tão quieto que tem vontade de fazer alguma coisa. Qualquer coisa dessas cotidianas, anônimas, acender um cigarro, ligar o rádio, quem sabe abrir a vidraça atrás da qual você está parado. Mas não faz nada. Você prefere não fazer nada. Permanece assim: parado, calado, quieto, sozinho. Na janela, olhando para fora.

(Caio Fernando Abreu. Verdade Interior, in: Pequenas Epifanias)

sexta-feira, 6 de maio de 2011

quinta-feira, 5 de maio de 2011

por enquanto

eu me escondo atrás do bafo de cerveja e tabaco. vou caindo nos (a)braços errados só pra não sentir a frieza do chão. mas não há risco. porque não me arrisco. escolho a dedo.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Sobre os desvios

Evitam ou apenas adiam?

terça-feira, 3 de maio de 2011

inspiração

ninguém saberia dizer o exato momento em que começou. teria sido com um sim, um disparo. ninguém jamais saberá. nenhuma alma estava atenta o suficiente. ninguém prestou atenção naquele par de olhos fixos no jornal. o cigarro queimava no cinzeiro,  entre o agora e o depois. entre as duas mesas rodeadas de cadeiras. o diabo flutuava com a fumaça. dançavam o diabo e a fumaça.  já não era de se estranhar. mordiscou os lábios, passou a língua em seguida. assim tão longe seria impossível sentir o gosto do outro. a mão então procurou a urgência dentro dos bolsos da calça  jeans, os dedos trêmulos e a perna bamba: onde estará? os olhos cansados percorreram o ambiente: não há. e então? uma caneta antes que a ideia fuja. antes que se torne suja demais para publicar. a ânsia subindo pela garganta não vai esperar. seria vômito ou arroto? o garçom passou ao lado e ela estendeu a mão: - caneta? enfim, caneta. o mundo fez silêncio. deitou as letras no guardanapo. descreveu como era bonito o rapaz. houve alívio. mentiu mais um amor. mas sem fingir a loucura.

domingo, 1 de maio de 2011

drink yourself (to death)

- Guaraná?

- Não, não...

- Acho que é por isso que eu gosto de você, nunca aceita nada que não seja alcoólico.