bueiro, me abrace forte!

sexta-feira, 29 de abril de 2011

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Quase

Eu fico no quase, à esquerda da vírgula. Passível de um resgate, a qualquer momento, ao menor estalo. Quando os pés estão firmes ao chão e você ainda está seguro na calçada, rodeado por possibilidades. Você tem direito ao fôlego. Antes da vírgula ainda há tempo de tragar um cigarro ou virar mais gole. Sobreviver antes de. Porque à direita do ponto nada se pode salvar. Atravessou a rua e já não há volta. Depois do ponto, nada se evita: o que poderia ser já se encontra dissolvido. Acabou, colecione mais um adeus. Ponto.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Peso morto

repare que da gente nunca sobra muita coisa: reticências e olhos grudados no chão, reticências e um buraco de flores murchas no peito.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Sem querer, eu me distraio, enxergo o óbvio e este me espanta. E me perguntam o que eu espero e eu não respondo, prefiro me entupir de disfarces - ainda que a resposta esteja estampada na minha cara: tão óbvia quanto meu espanto.

domingo, 24 de abril de 2011

Sobre a carne

A ferida exposta

e a razão oculta.

sábado, 23 de abril de 2011

Golpe fatal

acendo cigarros

provoco tremores

quarta-feira, 20 de abril de 2011

a dor dos outros também dilacera.

 e ponto.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

O bueiro e os seguidores

Às vezes, eu me leio e entro em pânico.

domingo, 10 de abril de 2011

sábado, 9 de abril de 2011

a quem se foi

Fico quieta e calo até os gestos. Esvazio o olhar e encho os copos para virar em segundos. Ajusto o foco para além das ondas. Repito. E repito sem fazer alarde.  Afundo os pés na areia. Agora o tempo se esvai e eu não sinto. Baforadas de cigarro até o pulmão pedir arrego. Repito o procedimento. Repito sem contar sobre minhas loucuras e devaneios. Meu estômago revira e eu não reclamo. Não reclamo que é pra não fazer alarde. Então há silêncio e estou encolhida e acolhida na calmaria. Então há silêncio e eu acredito: o espaço na memória está vago.

Eu me engano. 

Nem você acredita.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Antes de partir, os olhos já anseiam a distância.
Da boca sai apenas o necessário: preciso ir...

quarta-feira, 6 de abril de 2011

arquivo morto

"organizei a memória em alfabetos"
como Ana Cristina César me ensinou:

na letra A arquivei os afetos
os desafetos na letra D
mas não consigo me lembrar
em que letra arquivei você

baguncei essa porra toda
só porque queria me lembrar do seu nome
como se um homem valesse tamanho trabalho

ah! agora me lembrei
você está em C de Caralho.

|Carla Luma|


publicado na Edição 40/Maio de 2010

domingo, 3 de abril de 2011

Minha cabeça é pequena e pesada
Como uma pedra
(principalmente em manhã de ressaca)

- Cazuza

sexta-feira, 1 de abril de 2011

meu bem, meu bem
é confortável saber
que num coração arrasado
não há espaço
para mais ninguém.