bueiro, me abrace forte!

domingo, 27 de fevereiro de 2011

- Você não fala mais. Você não age, não reage. Pelo menos não daquele jeito sincero de antes. O que está acontecendo com você?

- Eu só estou espiando a vida. Ca-la-da.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Não há lágrima que justifique tudo isso

 Já não sou capaz de falar claramente o que está acontecendo comigo. Não sei o que eu pretendia quando comecei, mas agora também não importa. Nada importa quando a insatisfação se torna crônica.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Bastou que eu olhasse mais atentamente a minha imagem refletida no espelho para que eu finalmente percebesse: eu nunca superei nada, eu acumulei.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Pegar na minha mão: o maior dos abusos.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

"- Sustentar seu vício só a mega sena mesmo. Tá loco!"

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

não é mesmo?

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Quando

- E quando a gente escreve, escreve, escreve mas não passa?

- E quando é que você vai parar de agir como uma idiota?

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

under your shoes

Pra você o mesmo céu. Pra você, a mesma saudade empacotada. Larguei em cima da mesa quando saí.  Parti sem levar nada. Pise sem medo nisso tudo que um dia foi amor. Pise em tudo que já ofereci, sorrisos ou lágrimas. Pise nos abraços, nos silêncios mais incômodos, nas horas mais impróprias em que liguei, nas noites de sono perdidas. Pise em tudo que um dia foi seu sem saber, nas cartas que não escrevi, nas palavras que não proferi. Pise nos meus medos mais inocentes, na minha não-entrega, na minha privação, nos gestos que contive.

Mas pise devagar. 

Eu quero que você sinta.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Cruzou as pernas como se guardasse um segredo e acendeu outro cigarro. Olhou ao redor: nenhum conhecido, podia tragar tranquila. Podia finalmente ser ela mesma e isso também era assustador, a sensação estranha de não transpirar medo e deixar as lacunas expostas. Não ser nada além do que ela é, sem estar desmembrada como sempre se obrigava a estar.

Cruzou as pernas como se guardasse um segredo. E guardava.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Mediastino

Ela gostava de marcar encontros para as tardes de domingo. Mas sempre sentia medo de sair de casa. Por isso, tragava o ar poluído da cidade para se acalmar. E acalmava. Ela chegava com antecedência. Assim, adiava o suicídio. O coração batia acelerado entre aqueles dois pulmões. E ela o vomitaria se pudesse.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Love, love hides in a smoky night

Depois de algumas garrafas, sempre acabava recriando memórias, aparições, assombrações. Recriava tudo a partir do que gravara na retina, fielmente. Ele, sempre ele.  Para sempre ele. O rosto dele em outros rostos, as roupas dele em outros corpos, o cabelo dele em outras cabeças, a barba dele em outras faces, a voz dele partindo de outras gargantas.

Depois de algumas garrafas, bebia outras. E outras. Contava mentiras. Beijava outras bocas. Fantasiava qualquer situação. Quem sabe o encontrasse.