bueiro, me abrace forte!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Meu silêncio fede.

Clarice Lispector

domingo, 23 de janeiro de 2011

Fantasmas comem medo: resposta para bêbado — não há. Beba e volte.

Paulo Leminski

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Depois de pintar as unhas ficou debruçada na sacada observando o movimento. O olhar saturado das mesmas imagens, do tédio. Ela tinha tantos planos suicidas e agora nem isso. Agora nem alguém para lhe tapar os buracos. Tudo tão chato, até as madrugadas da cidade que não dorme. E essas pessoas tão horríveis subindo e descendo pela rua de paralelepípedo, será que nem elas percebem que tudo isso não vale de nada? Ninguém suspeita dos muros invisíveis. Será preciso quebrar a cara sempre?

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Embriaguez voluntária. Discou o número proibido. Palavras sem nexo e sem ordem. Mas cheias de vontade.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Outra garrafa de solidão.

Tristeza não se compartilha.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

go out and

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Out of the ash
I rise with my red hair
And I eat men like air.

"LadyLazarus" Sylvia Plath

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

um par de comprimidos para minha dor de cabeça

Same old voice screaming in my head
- Oh, girl.. you´re a monster..
Same old song keeps haunting me
Yeah, I know I´m a monster..

São oito da manhã de uma segunda-feira-feriado de um janeiro furioso e quente quentíssimo e eu acordo de cara pro meu vômito depois de atravessar a madrudaga atendendo suas ligações pelo controle remoto do dvd sem que nenhuma voz nem a minha e nem a sua pudesse sair escapar estourar rouca no silêncio que agora é essa sala essa casa essa cidade. O que tenho aqui como café da manhã é o pesadelo do nunca-mais-eu-faço-isso-não-tenho-mais-idade. São oito horas e eu preciso explicar esse vômito: estômago fraco, fígado destruído, herança de família esse gene de dependência ao álcool com bebida não se brinca.



quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Até consigo imaginar você me dizendo "ainda estamos no mesmo hemisfério, quem cagou no pau foi você e não eu", embora você só solte palavrões na minha cara quando se trata da sua ex que é mais ou menos - mais pra menos, é bom o adendo - tão alta quanto eu. Eu sempre acabo rindo de quem ofende ex namorado(a), ex amigo(a), ex chefe. Mas isso eu nunca te contei e você sempre terminava zangado com meu riso cínico. Ainda mais zangada era eu e não era nem por mal, era por não saber o que fazer quando topava com seus olhos que eu nunca consegui entender. E será que um dia alguém conseguiu? Julgo que estão além do entendimento, que não são desse mundo, quase irisados deus me livre, deus nos livre desses olhos que não ferem, mas apavoram. Então estamos no mesmo hemisfério, você me diz nesse diálogo imaginário, eu te mando tomar no cu, você dá um passo para trás, você me pede calma e me chama de maluca e diz que não é merecedor de nada disso que nunca deu motivo pra tamanha rispidez, eu concordo com a cabeça pouso a mão da cintura depois vasculho os bolsos querendo meu maço e meu isqueiro e vou ficando cada vez mais nervosa porque eu não encontro e nisso tudo eu fico muda então quem dá um passo para trás sou e essa distância só aumenta. Mas "ainda estamos no mesmo hemisfério", a Terra divida ao meio pela linha do equador, eu completo. E nesse ponto eu já não consigo imaginar o que vem depois.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Eu não comecei nada. Eu continuei. Releio tudo em busca de alguma novidade, qualquer coisa que eu não tenha dado a devida importância. Talvez eu tenha exagerado justamente na parte errada e assoprado os farelos importantes. Buscando entre os escombros que são minhas próprias palavras, são nos espaços que estão as gotas de sangue. O meu. Derramei sem perceber e sequei.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Quero falar dos meus medos e não consigo. Minha boca descola quando ameaço tentar. Minhas angústias são pontadas no estômago, aquela velha agonia sem fim pintada de vermelho. É só o mundo me apavorando outra vez. É só o mundo me cobrando, exigindo que eu respeite a realidade. Afundo os pés a cada passo. Tudo pesa e a estrada não se sabe onde acaba. Não há como negar que caminhei até aqui: somei misérias. O intuito disso tudo não era ser feliz? Encontrei meu jeito: pra parecer feliz eu preciso me esconder. Mas depois tudo volta e estoura na minha cara. E eu fico sem saber o que fazer.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Finjo o tempo todo, rio, sou alegre, dispersivo, com aquele brilho superficial e ridículo. E em cada fim de noite me sinto um lixo. 

|Caio Fernando Abreu|

sábado, 8 de janeiro de 2011

Quis pedir desculpas, me redimir por cada grosseria, cada sumiço sem propósito e cada ligação não retornada. Quis pedir desculpas pelo meu desequilíbrio emocional, minha canalhice, minha falta de paciência.

Mas preferi mandar tomar no cu, para me poupar de tantas desculpas.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

o céu vai secar?

Chovem dias. Agora todo dia.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Veia saltando do braço e joguinhos psicológicos. Cerveja. Torpor. Cigarro. Torpor. Daria para escrever um romance.

Preguiça e desencanto não me deixam.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

o coração tão quieto que parece morto.