bueiro, me abrace forte!

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Já no meio do caminho eu espero o absurdo. Estou vendo que quando essa coisa sair, vai sujar tudo. E eu não quero estar aqui para limpar.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011


Verifico que não passei por tudo impunemente, e olho
meu amor atônita, os braços imóveis cheios de
sangue. Delírio de lucidez, quero escrever
longas cartas delirantes, reatá-las com
os punhos rasgados, marcá-las a todos com
os polegares maciços e tesos.
Também desta retórica sinto raiva, mas é raiva
tristemente mansa, retardada dentro do trabalho.
Raiva presa no velho jogo e que me alimenta de
estilo. (escondendo a razão da ferida).
Quero esta retórica depois de mim,
me levando irrevogavelmente.
O que é exatamente que insiste em vir atrás?
Viver é esquisitíssimo.

EQUÍVOCOS

               Ana Cristina César

domingo, 27 de novembro de 2011

é só o meu peito ardendo

e mergulhar assim em mim
sem ter certeza do que eu realmente sou,
pra quê?

por favor,
só atravesse

e passe por esses caminhos tortos em silêncio

sábado, 19 de novembro de 2011

Fico imaginando até que ponto tudo isso te perturba. Você se encontrando insone pela madrugada a encerrar dentro desses punhos magros o soco que merece. Ou talvez mereçamos. Por todas as vezes em que não fomos práticos admitindo que somos perdedores e nada além. Sem lamentações, sem autodepreciação. Apenas constatar que já nos misturamos a essa multidão monocromática de desencantados.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

And i feel i'm heading down
But that's alright…
That's alright…

sábado, 5 de novembro de 2011

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

domingo, 9 de outubro de 2011

Estou aqui com a visão embaçada e isso já tem tempo. Fiquei sentada olhando o branco dessa tela porque no fundo eu só queria te escrever: Olá, desespero, é um bom momento para tomarmos um café. Afinal, você tem sido a minha única companhia durante todos esses meses. Não saio de casa sem você, não durmo sem que antes possa senti-lo. Mas essa é a primeira vez que lhe ofereço algo. Eu me rendo. Você é tudo o que tenho agora. E já era hora.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

i'ts always the same shit


and you leave on your own
and you go home, and you cry
and you want to die

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

fechei as janelas

quero deixar essa tristeza toda mofar dentro de mim
sem olhar o que tem do lado de fora
porque as minhas merdas já me bastam

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Quem me vê caminhar curvada e torta nem imagina o peso da angústia que carrego. Quem me vê tomando relaxantes musculares nem imagina que toda essa tensão é medo. Quem me vê zerando a solidão no modo hard nem imagina que está sendo ótimo.

domingo, 4 de setembro de 2011

O amor é como a felicidade: vocês fingem que têm, eu finjo que acredito e ainda faço questão de sentir inveja.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

terça-feira, 30 de agosto de 2011

there is nothing to see here

agora é tarde e eu me recuso a explicar o óbvio. agora é tarde e tudo o que restou foram garrafas vazias na pista. é preciso partir.

no one cares when the show is done
no one

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

a gente vai levando

 e as mágoas continuam a se acumular sobre a minha (pouca) capacidade de gostar das pessoas.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

quem garante?

A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas? Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar. As vezes esse alguém aparece, outras vezes, não.

Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

os frascos de remédios vazios e o telefone ainda não foi cortado. lidem.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Foi mais ou menos isso: te vi de longe. Você olha mais para céu, fazendo sempre a mesma cara e certamente carregando os mesmos problemas: o pai, a mãe, o irmão que é mais querido. Um empurrão aqui, outro ali. Esbarrões e tropeços. As coisas se complicam para cada um dos lados, dramatizar seria um luxo. Mas eu continuo encenando a mesma peça: patética, sentada na calçada, o olhar vazio de esperança e repleto de medo. Ceninha triste, vulgar. Coisa de quem leva socos invisíveis e não revida. Mas a dor nos anestesia. E ninguém nunca ouve nossos gritos.

Então é mais ou menos isso: eu te escrevo. E a gente conversa em silêncio.

sábado, 13 de agosto de 2011

it's saturday night

e os desconhecidos trocam intimidades assim tão urgentes

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

ladeira abaixo

sou exatamente como a vodka barata: só me toleram em crises agudas de carência afetiva, profundo desespero, ruína financeira, decadência moral e amor não-correspondido.

e tudo o que tenho a oferecer são dores de cabeça, náusea, vômitos, diarreia, problemas para dormir e repulsa.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

lovers hold hands to numb the pain

agosto dos leões. socorro.

domingo, 7 de agosto de 2011

some people get by with a little understanding

- aff, como você consegue?

- nasci viúva e desistida, pode?

sábado, 6 de agosto de 2011

a gente nunca escapa daquilo que está do lado de dentro

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

and if all these things you thought were true...

 ... turned out to just be someone else's lies?


às vezes eu queria ser como ela. viver na cidade dela. ter os amigos dela. a casa dela. os livros dela. os cabelos dela. o corpo dela. as roupas dela. as ilusões dela. ser jovem como ela. apaixonada como ela. corna como ela. às vezes eu só queria ser mais estúpida do que eu sou. acreditar nele.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

but out of all, I entitled you my favourite scar



i'll keep it forever closed;
keep it forever sealed;
keep it forever closed.

domingo, 31 de julho de 2011

circle of fucking life


esse conjunto de transformações pelo qual passamos e não dá em nada

quarta-feira, 27 de julho de 2011

seja gentil com seus (ex) isqueiros

Eles retornam. Retornam como se estivessem no direito de reivindicar algo. Reivindicar a minha resposta. Querem me tirar do meu silêncio. E eu me canso, eu me canso porque não me sinto obrigada a dar o que me pedem. Eles querem impor suas vontades. Eu só desejo a distância. A distância sempre foi o modo mais seguro de dizer adeus. Eles se assustam com o meu espanto. Eu me sinto uma heroína por conseguir me manter sóbria por mais de sete dias. Mas eles não entendem. Eles nunca entendem nada. E aqui por dentro me corta a rua que nunca dorme. Ela me chama. Aqui por dentro a palavra certa infecciona. Minha fúria não transpõe o pensamento.

E como é que eu resisto?

terça-feira, 26 de julho de 2011

internet: usuários

Pensei em fazer um vídeo sobre o assunto, mas aí me lembrei que eu consigo ser pior falando do que escrevendo e, além disso, não entendo nada de edição. Então decidi que foda-se, porque é bem mais fácil tomar a decisão do foda-se.
foda-se
Estou na Internet há uns 11 anos (assim sendo, assisti o fim da era ICQ, vivi a golden age do bate-papo uol e fui militante da orkutização do orkut) e no decorrer desse tempo aprendi coisas muito úteis, tais como: emagrecer dormindo, aumentar o tamanho do meu pênis, utilizar as redes sociais para me auto-afirmar, amar o google incondicionalmente, dicas de maquiagem e etc além, é claro, de me tornar perita na arte do stalker. Com tantos anos de experiência hoje posso destacar os dois mundos virtuais que existem: o mundo virtual real e o mundo virtual que meus pais acreditam existir.
No mundo virtual real, podemos encontrar 3 (três) perfis de usuários:

usuário de dorgas
Usuário diboua: utiliza a Internet para se comunicar e pesquisar e acessar o redtube de maneira saudável porque né. Não há nada de errado com ele, ainda que, eventualmente, seu avatar nas redes sociais seja editado no paint e ele envie ppts aos milhares e isso me irrita pra caralho. 70% utilizam o Internet Explorer como navegador padrão e os mesmos alegam repassar correntes.

Usuário criminoso: pratica crimes virtuais, ué.

Usuário babaca: eis o balaio do gato, aqui estão todos os usuários que não se encaixam nos perfis já mencionados. 
nesse caso, a legenda torna-se dispensável
O elegante casal ao lado representa a maioria dos bacacas. Estes gozam de uma vida social agitada e nunca reclamam da vida (apenas das falsas amizades), pois Jesus faz parte de seus corações. Uma característica muito marcante desses usuários é que eles subestimam a norma culta, desvencilhando-se completamente da boa ortografia e da gramática, tornando-se grandes neologistas. Seus seus finais de semana são frequentemente marcados por whisky e red bull e, portanto, fazem questão de expor seus feitos nas redes sociais. São os líderes da orkutização do facebook.

rei da internet
Outro perfil muito comum são os jogadores de RPG on line, participantes de orkontros, que se auto-intitulam nerds e/ou otakus. São os desbravadores do ambiente virtual, compartilham suas proezas e/ou frustrações em fóruns on line, possuem vida social pouco ou nada ativa, suas maiores conquistas foram as esferas do dragão e alegam que se alimentam quase que exclusivamente de bacon.







pança conquistada pelos anos de sedentarismo de alto impacto
Por fim, um perfil de destaque é o babaca em sentido estrito, o qual é o que eu mais tenho autoridade para comentar, pois trata-se do meu. O usuário babaca pratica crimes de babaquices, bem como criar blogs com a intenção de mostrar aos outros o quanto sua vida pode ser medíocre; utiliza o twitter essencialmente para reclamar; investiga seus amores e/ou desafetos de maneira obsessiva recreativa; é emocionalmente instável e socialmente execrável por estar acima do peso. O computador é seu melhor amigo.


Encerrando essa inútil postagem, resta citar o único perfil de usuário do mundo virtual que meus pais acreditam existir: estupradores.
seu cu não será perdoado


sexta-feira, 22 de julho de 2011

mas nem com cerveja na augusta, cigarrinho e filme do woody allen eu tô me convencendo. nem com braço fechado de tatuagem, cabelo desgrenhado e barba por fazer eu tô me deixando levar. era para ser uma pergunta, mas a resposta é tão óbvia que machuca. enfim.

tá chovendo merda no meu coração. ou tá chovendo no meu coração de merda. whatever, essa ferida seca agora me encobre inteira e essa rua suja tá me fodendo devagar enquanto todos os outros correm ao mesmo tempo. meu propósito foi ficar para trás e engolir sua poeira. foi puxar sua fumaça sem reclamar.

me ame e me perca. me ignore e me vença. funciona.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

das dúvidas

por que ignoram meus pontos finais?

por que insistir num olá se o adeus já foi dito tantas vezes?

quando é que eu vou parar de me punir pelo erro dos outros?

posso pegar meu certificado sem participar da cerimônia de colação de grau?

sexta-feira, 15 de julho de 2011

das graças

- Engraçado... mas, às vezes, acabo pensando em você.

- E...?

- E nada. Isso que é o mais engraçado.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

mesmo com o nada feito, com a sala escura
com um nó no peito, com a cara dura
não tem mais jeito, a gente não tem cura

quarta-feira, 13 de julho de 2011

vocês que se resolvam

eu me tranco nessas três linhas
carrego uma coroa invisível de espinhos
e viro as costas sem oferecer a bunda

domingo, 10 de julho de 2011

when I'm gone

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Resgates e descartes

O que eu tenho feito é exercitar as (re)descobertas: quem eu fui, por onde estive, quem amei, quem deixei, quem me deixou. Destranco gavetas, abro caixas, manuseio tickets de cinema e teatro, acesso a lista de contatos do celular, me deparo com pequenos comentários no rodapé das páginas dos livros, discretas sinceridades e mentiras explícitas. Mas que ninguém se anime: nada passa impunimente à dor. Trata-se de um pedágio caro, afinal, não é permitido que se faça a qualquer momento uma viagem deste tipo. Necessita preparo, vontade e violência. Preparo para ajustar o foco, vontade para chegar ao final e violência para resgatar ou descartar o que for encontrado pelo caminho. Não há tempo para suavidades.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

VOMITEI

quinta-feira, 23 de junho de 2011

não faz sentido

a gente faz de tudo pra não acreditar
e quando não acredita
quer revogar o pedido
e fica só o gosto amargo na garganta:
o sabor de não ter volta.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Discretamente, enviei sinais de socorro aos amigos. Ninguém ajudou. Me virei sozinho. Isso me endureceu um pouco mais.
Caio Fernando Abreu

terça-feira, 14 de junho de 2011

As coisas se aproximam e eu me reduzo. Rejeito as tentativas. É involuntário, eu juro.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

quinta-feira, 2 de junho de 2011

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Minha imaginação morreu de fome.

terça-feira, 24 de maio de 2011

"Sempre penso em sumir. Algo como não deixar marcas. Durante um tempo só. Voltar um ano depois ou mesmo um mês, mas sumir. Pra algum lugar qualquer, pra uma cidadezinha no interior da França, um hotel fuleiro na Cidade do México, ou para uma Kitchenete num bairro qualquer do Rio de Janeiro, sei lá. Mas não deixar marcas. O celular desligado no fundo da mochila. E depois voltar, com a barba mais ou menos grande, o cabelo comprido, a cara de velho louco e um novo livro de poemas."

Mário Bortolotto

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Love Affair

Verdade que eu cheguei mal intencionada. Verdade também que eu não esperava uma paixão à primeira vista. Aquela situação me pegou desprevenida. Entrei no bar e lá estava ela: no balcão. Uma loira linda com ar boêmio. Fui em sua direção, mas antes que pudesse ensaiar qualquer palavra, notei que estava acompanhada. Diabos, fiquei desconsertada. Puxei um banco ao lado e pedi uma igualzinha. Matei a loira ali mesmo. Gostosa. Gelada. Aquela loira se acabou todinha comigo em quatro... goles.

sábado, 14 de maio de 2011

quarta-feira, 11 de maio de 2011

O amor resolveu tirar férias, preparou suas malas e partiu. Não se despediu, não deixou bilhete, simplesmente foi embora. Mas o amor não contava com seu destino: pegou a rota errada e agora está perdido, no meio do deserto, sem bebida e sem comida. Na areia já desenhou um S.O.S. e aos deuses já fez preces.

O amor sobrevive?

terça-feira, 10 de maio de 2011

O mundo está dividido entre os que trepam e os que não trepam

Florentino Ariza se lembrou de uma frase que ouvira menino do médico da família, seu padrinho, a propósito da sua prisão de ventre crônica: "O mundo está dividido entre os que cagam bem e os que cagam mal." Sobre esse dogma o médico elaborara toda uma teoria do caráter, que considerava mais certeira do que a astrologia. Mas com as lições dos anos, Florentino Ariza a formulou de outro modo: "O mundo está dividido entre os que trepam e os que não trepam." Desconfiava dos últimos: quando saíam dos trilhos, era para eles tão insólito que alardeavam o amor como se tivessem acabado de inventá-lo. Os que o faziam amiúde, em compensação, viviam só para isso. Sentiam-se tão bem que se comportavam como sepulcros lacrados, por saberem que da discrição dependia sua vida. Nunca falavam de suas proezas, não confiavam em ninguém, bancavam os distraídos até o ponto de ganharem fama de impotentes, de frígidos, e sobretudo de maricás tímidos, como era o caso de Florentino Ariza. Mas se compraziam no equívoco, porque o equívoco também os protegia. Eram uma loja maçônica hermética, cujos sócios se reconheciam entre si no mundo inteiro, sem necessidade de um idioma comum. Daí o fato de Florentino Ariza não se surpreender com a resposta da moça: era uma dos seus, e portanto sabia que ele sabia que ela sabia.

O amor nos tempos do cólera - Gabriel Garcia Marquez

sábado, 7 de maio de 2011

Você prefere não fazer nada

Assim olhando, de repente você se percebe tão quieto que tem vontade de fazer alguma coisa. Qualquer coisa dessas cotidianas, anônimas, acender um cigarro, ligar o rádio, quem sabe abrir a vidraça atrás da qual você está parado. Mas não faz nada. Você prefere não fazer nada. Permanece assim: parado, calado, quieto, sozinho. Na janela, olhando para fora.

(Caio Fernando Abreu. Verdade Interior, in: Pequenas Epifanias)

sexta-feira, 6 de maio de 2011

quinta-feira, 5 de maio de 2011

por enquanto

eu me escondo atrás do bafo de cerveja e tabaco. vou caindo nos (a)braços errados só pra não sentir a frieza do chão. mas não há risco. porque não me arrisco. escolho a dedo.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Sobre os desvios

Evitam ou apenas adiam?

terça-feira, 3 de maio de 2011

inspiração

ninguém saberia dizer o exato momento em que começou. teria sido com um sim, um disparo. ninguém jamais saberá. nenhuma alma estava atenta o suficiente. ninguém prestou atenção naquele par de olhos fixos no jornal. o cigarro queimava no cinzeiro,  entre o agora e o depois. entre as duas mesas rodeadas de cadeiras. o diabo flutuava com a fumaça. dançavam o diabo e a fumaça.  já não era de se estranhar. mordiscou os lábios, passou a língua em seguida. assim tão longe seria impossível sentir o gosto do outro. a mão então procurou a urgência dentro dos bolsos da calça  jeans, os dedos trêmulos e a perna bamba: onde estará? os olhos cansados percorreram o ambiente: não há. e então? uma caneta antes que a ideia fuja. antes que se torne suja demais para publicar. a ânsia subindo pela garganta não vai esperar. seria vômito ou arroto? o garçom passou ao lado e ela estendeu a mão: - caneta? enfim, caneta. o mundo fez silêncio. deitou as letras no guardanapo. descreveu como era bonito o rapaz. houve alívio. mentiu mais um amor. mas sem fingir a loucura.

domingo, 1 de maio de 2011

drink yourself (to death)

- Guaraná?

- Não, não...

- Acho que é por isso que eu gosto de você, nunca aceita nada que não seja alcoólico.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Quase

Eu fico no quase, à esquerda da vírgula. Passível de um resgate, a qualquer momento, ao menor estalo. Quando os pés estão firmes ao chão e você ainda está seguro na calçada, rodeado por possibilidades. Você tem direito ao fôlego. Antes da vírgula ainda há tempo de tragar um cigarro ou virar mais gole. Sobreviver antes de. Porque à direita do ponto nada se pode salvar. Atravessou a rua e já não há volta. Depois do ponto, nada se evita: o que poderia ser já se encontra dissolvido. Acabou, colecione mais um adeus. Ponto.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Peso morto

repare que da gente nunca sobra muita coisa: reticências e olhos grudados no chão, reticências e um buraco de flores murchas no peito.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Sem querer, eu me distraio, enxergo o óbvio e este me espanta. E me perguntam o que eu espero e eu não respondo, prefiro me entupir de disfarces - ainda que a resposta esteja estampada na minha cara: tão óbvia quanto meu espanto.

domingo, 24 de abril de 2011

Sobre a carne

A ferida exposta

e a razão oculta.

sábado, 23 de abril de 2011

Golpe fatal

acendo cigarros

provoco tremores

quarta-feira, 20 de abril de 2011

a dor dos outros também dilacera.

 e ponto.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

O bueiro e os seguidores

Às vezes, eu me leio e entro em pânico.

domingo, 10 de abril de 2011

sábado, 9 de abril de 2011

a quem se foi

Fico quieta e calo até os gestos. Esvazio o olhar e encho os copos para virar em segundos. Ajusto o foco para além das ondas. Repito. E repito sem fazer alarde.  Afundo os pés na areia. Agora o tempo se esvai e eu não sinto. Baforadas de cigarro até o pulmão pedir arrego. Repito o procedimento. Repito sem contar sobre minhas loucuras e devaneios. Meu estômago revira e eu não reclamo. Não reclamo que é pra não fazer alarde. Então há silêncio e estou encolhida e acolhida na calmaria. Então há silêncio e eu acredito: o espaço na memória está vago.

Eu me engano. 

Nem você acredita.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Antes de partir, os olhos já anseiam a distância.
Da boca sai apenas o necessário: preciso ir...

quarta-feira, 6 de abril de 2011

arquivo morto

"organizei a memória em alfabetos"
como Ana Cristina César me ensinou:

na letra A arquivei os afetos
os desafetos na letra D
mas não consigo me lembrar
em que letra arquivei você

baguncei essa porra toda
só porque queria me lembrar do seu nome
como se um homem valesse tamanho trabalho

ah! agora me lembrei
você está em C de Caralho.

|Carla Luma|


publicado na Edição 40/Maio de 2010

domingo, 3 de abril de 2011

Minha cabeça é pequena e pesada
Como uma pedra
(principalmente em manhã de ressaca)

- Cazuza

sexta-feira, 1 de abril de 2011

meu bem, meu bem
é confortável saber
que num coração arrasado
não há espaço
para mais ninguém.

quarta-feira, 30 de março de 2011

se você quiser e vier pro que der e vier comigo

e me entregou um papel amassado com a letra de uma música. um sorriso bem largo e impaciente, como quem espera um sorriso bem largo do outro lado, como resposta.

prontamente devolvi: desculpa, moço, eu tenho medo.

segunda-feira, 28 de março de 2011

eu e meu umbigo

sem querer
quero ficar só
e fico

sexta-feira, 25 de março de 2011

Nessa fuga, eu me perdi de mim. Se tento olhar para trás, me confundo mais: as pegadas que deixei eram falsas. Forjei tantas pistas que não sei de onde vim. Cada frase proferida, foi proferida ao avesso. Há mentiras demais e eu não me entendo.

domingo, 20 de março de 2011

A visita

Eu passava por mais uma manhã de ressaca quando a campainha tocou. Pensei em não atender, pois visitar alguém em plena manhã de domingo (que normalmente é de ressaca para uma boa parte dos mortais) sem prévio aviso eu considero uma afronta. Chega a ser injusto e desonesto. Por fim, num ato de misericórdia que eu mesma não sabia que poderia vir a ter, resolvi atender. Abri a porta e lá estava ele: um sorriso amarelo e um embrulho nas mãos. À princípio eu tentei fingir ser algum tipo de gêmea má de mim mesma, assim ele ficaria constrangido por eu não ser eu e enfim iria embora do mesmo modo como veio. Mas ele não acreditou na minha performance e quebrou o silêncio (que se dependesse da minha boa vontade seria eterno) perguntando se poderia entrar. Eu continuei muda e com a minha típica cara de paisagem me afastei da porta para que ele entrasse. Sem o menor pudor ele se sentou no meu sofá velho e manchado, como já havia feito tantas outras vezes. Mas fazia muito tempo que essas tantas vezes não se repetiam. Foi assim que me dei conta de que nem ele e nem sofá deveriam estar naquela sala. Continuei em pé tentando entender porque uma força divina está sempre tentando se vingar de mim eu sei lá por qual motivo, mas essa força divina, ah essa força, constantemente se direciona em tortura psicológica contra mim. Tentei enumerar meus grandes pecados e nenhum deles era capaz de se equiparar a tamanho castigo divino. De repente aquele rapaz que agora me era um completo desconhecido começou a contar sobre o tempo em que esteve longe: estudos, empregos, amores. Falou e falou sem pausa, sem trégua, sem que eu pudesse tomar fôlego para gritar "que diabos significa tudo isso? qual de nós dois perdeu o juízo?". Eu não pude prestar atenção nem à metade de tudo o que ele despejou na minha sala, na minha cara, na minha vida miserável. Quando terminou de contar suas aventuras perguntou se eu estava bem, que rumo tomei, o que fiz, por onde e com quem estive todo esse tempo. Perguntas tão desnecessárias. Eu respondi a tudo com verdades inventadas, porque foi isso que eu aprendi a fazer e talvez seja apenas isso o que eu saiba fazer: inventar verdades, viver vidas que não são minhas, colecionar memórias alheias, substituir pessoas. Quando o interrogatório finalmente acabou ficamos nos encarando, procurando as marcas do tempo, as mudanças evidenciadas na pele, no corte de cabelo, no tom cansado dos olhos. Nós não éramos mais os mesmos, não podíamos ser nem sequer uma lembrança. Fomos um erro e permanecemos assim um para o outro. Ele se levantou e deixou o embrulho sobre o sofá. Pediu desculpas, talvez se dando conta da imensa falta de sentido que era aquela visita e saiu, as mãos enfiadas nos bolsos, o passo pesado. Era a segunda vez que eu o estava vendo partir. Na primeira vez tive dúvida, mas agora tinha certeza: é melhor assim. Quanto àquele embrulho eu nunca abri, pois representava com exatidão minha relação com quem o deixou: algo que não vale a pena tomar conhecimento sobre seu conteúdo, seja lá o que for, passou. Vendi o sofá.

sábado, 19 de março de 2011

Você come sua comida fria, lê seu jornal de notícias repetidas, não dá conta dessa alma gasta, dessa solidão escandalosa. Acende um cigarro e dá um trago na morte. Observa a rua pela janela semi-aberta e tem vontade de chorar, de se rasgar e não encontra remédio pra sua dor então vira os copos, engolindo revoltas, ressentimentos.

Ah, você se acostuma.

domingo, 13 de março de 2011

Sinto enjôo e não vomito. Eu dissimulo. 

Vocês venceram.

sábado, 12 de março de 2011

alcohol

segunda-feira, 7 de março de 2011

- E o que você gosta de fazer, hein?

- Ficar sozinha.

- Ah é, não deve ser fácil ficar sozinha quando se divide a casa, a sala de aula, as ruas, enfim, um mundo inteiro com outras pessoas.

- Na verdade, eu estou sozinha o tempo todo.

quarta-feira, 2 de março de 2011

"no fundo do peito
esse fruto apodrecendo 
a cada dentada"

domingo, 27 de fevereiro de 2011

- Você não fala mais. Você não age, não reage. Pelo menos não daquele jeito sincero de antes. O que está acontecendo com você?

- Eu só estou espiando a vida. Ca-la-da.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Não há lágrima que justifique tudo isso

 Já não sou capaz de falar claramente o que está acontecendo comigo. Não sei o que eu pretendia quando comecei, mas agora também não importa. Nada importa quando a insatisfação se torna crônica.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Bastou que eu olhasse mais atentamente a minha imagem refletida no espelho para que eu finalmente percebesse: eu nunca superei nada, eu acumulei.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Pegar na minha mão: o maior dos abusos.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

"- Sustentar seu vício só a mega sena mesmo. Tá loco!"

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

não é mesmo?

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Quando

- E quando a gente escreve, escreve, escreve mas não passa?

- E quando é que você vai parar de agir como uma idiota?

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

under your shoes

Pra você o mesmo céu. Pra você, a mesma saudade empacotada. Larguei em cima da mesa quando saí.  Parti sem levar nada. Pise sem medo nisso tudo que um dia foi amor. Pise em tudo que já ofereci, sorrisos ou lágrimas. Pise nos abraços, nos silêncios mais incômodos, nas horas mais impróprias em que liguei, nas noites de sono perdidas. Pise em tudo que um dia foi seu sem saber, nas cartas que não escrevi, nas palavras que não proferi. Pise nos meus medos mais inocentes, na minha não-entrega, na minha privação, nos gestos que contive.

Mas pise devagar. 

Eu quero que você sinta.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Cruzou as pernas como se guardasse um segredo e acendeu outro cigarro. Olhou ao redor: nenhum conhecido, podia tragar tranquila. Podia finalmente ser ela mesma e isso também era assustador, a sensação estranha de não transpirar medo e deixar as lacunas expostas. Não ser nada além do que ela é, sem estar desmembrada como sempre se obrigava a estar.

Cruzou as pernas como se guardasse um segredo. E guardava.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Mediastino

Ela gostava de marcar encontros para as tardes de domingo. Mas sempre sentia medo de sair de casa. Por isso, tragava o ar poluído da cidade para se acalmar. E acalmava. Ela chegava com antecedência. Assim, adiava o suicídio. O coração batia acelerado entre aqueles dois pulmões. E ela o vomitaria se pudesse.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Love, love hides in a smoky night

Depois de algumas garrafas, sempre acabava recriando memórias, aparições, assombrações. Recriava tudo a partir do que gravara na retina, fielmente. Ele, sempre ele.  Para sempre ele. O rosto dele em outros rostos, as roupas dele em outros corpos, o cabelo dele em outras cabeças, a barba dele em outras faces, a voz dele partindo de outras gargantas.

Depois de algumas garrafas, bebia outras. E outras. Contava mentiras. Beijava outras bocas. Fantasiava qualquer situação. Quem sabe o encontrasse.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Meu silêncio fede.

Clarice Lispector

domingo, 23 de janeiro de 2011

Fantasmas comem medo: resposta para bêbado — não há. Beba e volte.

Paulo Leminski

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Depois de pintar as unhas ficou debruçada na sacada observando o movimento. O olhar saturado das mesmas imagens, do tédio. Ela tinha tantos planos suicidas e agora nem isso. Agora nem alguém para lhe tapar os buracos. Tudo tão chato, até as madrugadas da cidade que não dorme. E essas pessoas tão horríveis subindo e descendo pela rua de paralelepípedo, será que nem elas percebem que tudo isso não vale de nada? Ninguém suspeita dos muros invisíveis. Será preciso quebrar a cara sempre?

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Embriaguez voluntária. Discou o número proibido. Palavras sem nexo e sem ordem. Mas cheias de vontade.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Outra garrafa de solidão.

Tristeza não se compartilha.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

go out and

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Out of the ash
I rise with my red hair
And I eat men like air.

"LadyLazarus" Sylvia Plath

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

um par de comprimidos para minha dor de cabeça

Same old voice screaming in my head
- Oh, girl.. you´re a monster..
Same old song keeps haunting me
Yeah, I know I´m a monster..

São oito da manhã de uma segunda-feira-feriado de um janeiro furioso e quente quentíssimo e eu acordo de cara pro meu vômito depois de atravessar a madrudaga atendendo suas ligações pelo controle remoto do dvd sem que nenhuma voz nem a minha e nem a sua pudesse sair escapar estourar rouca no silêncio que agora é essa sala essa casa essa cidade. O que tenho aqui como café da manhã é o pesadelo do nunca-mais-eu-faço-isso-não-tenho-mais-idade. São oito horas e eu preciso explicar esse vômito: estômago fraco, fígado destruído, herança de família esse gene de dependência ao álcool com bebida não se brinca.



quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Até consigo imaginar você me dizendo "ainda estamos no mesmo hemisfério, quem cagou no pau foi você e não eu", embora você só solte palavrões na minha cara quando se trata da sua ex que é mais ou menos - mais pra menos, é bom o adendo - tão alta quanto eu. Eu sempre acabo rindo de quem ofende ex namorado(a), ex amigo(a), ex chefe. Mas isso eu nunca te contei e você sempre terminava zangado com meu riso cínico. Ainda mais zangada era eu e não era nem por mal, era por não saber o que fazer quando topava com seus olhos que eu nunca consegui entender. E será que um dia alguém conseguiu? Julgo que estão além do entendimento, que não são desse mundo, quase irisados deus me livre, deus nos livre desses olhos que não ferem, mas apavoram. Então estamos no mesmo hemisfério, você me diz nesse diálogo imaginário, eu te mando tomar no cu, você dá um passo para trás, você me pede calma e me chama de maluca e diz que não é merecedor de nada disso que nunca deu motivo pra tamanha rispidez, eu concordo com a cabeça pouso a mão da cintura depois vasculho os bolsos querendo meu maço e meu isqueiro e vou ficando cada vez mais nervosa porque eu não encontro e nisso tudo eu fico muda então quem dá um passo para trás sou e essa distância só aumenta. Mas "ainda estamos no mesmo hemisfério", a Terra divida ao meio pela linha do equador, eu completo. E nesse ponto eu já não consigo imaginar o que vem depois.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Eu não comecei nada. Eu continuei. Releio tudo em busca de alguma novidade, qualquer coisa que eu não tenha dado a devida importância. Talvez eu tenha exagerado justamente na parte errada e assoprado os farelos importantes. Buscando entre os escombros que são minhas próprias palavras, são nos espaços que estão as gotas de sangue. O meu. Derramei sem perceber e sequei.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Quero falar dos meus medos e não consigo. Minha boca descola quando ameaço tentar. Minhas angústias são pontadas no estômago, aquela velha agonia sem fim pintada de vermelho. É só o mundo me apavorando outra vez. É só o mundo me cobrando, exigindo que eu respeite a realidade. Afundo os pés a cada passo. Tudo pesa e a estrada não se sabe onde acaba. Não há como negar que caminhei até aqui: somei misérias. O intuito disso tudo não era ser feliz? Encontrei meu jeito: pra parecer feliz eu preciso me esconder. Mas depois tudo volta e estoura na minha cara. E eu fico sem saber o que fazer.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Finjo o tempo todo, rio, sou alegre, dispersivo, com aquele brilho superficial e ridículo. E em cada fim de noite me sinto um lixo. 

|Caio Fernando Abreu|

sábado, 8 de janeiro de 2011

Quis pedir desculpas, me redimir por cada grosseria, cada sumiço sem propósito e cada ligação não retornada. Quis pedir desculpas pelo meu desequilíbrio emocional, minha canalhice, minha falta de paciência.

Mas preferi mandar tomar no cu, para me poupar de tantas desculpas.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

o céu vai secar?

Chovem dias. Agora todo dia.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Veia saltando do braço e joguinhos psicológicos. Cerveja. Torpor. Cigarro. Torpor. Daria para escrever um romance.

Preguiça e desencanto não me deixam.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

o coração tão quieto que parece morto.