bueiro, me abrace forte!

domingo, 13 de junho de 2010

Ou míngua ou transborda

Ela esvaziou. Viver já não era urgente, não gritava, não batia na porta. Viver não era um convite. Viver tronou-se uma escolha e não mais um ato involuntário, uma reação, um reflexo. As dores, ah, as dores que não doíam. Não doíam ainda que tentasse afundar o dedo indicador nas feridas. Não sangravam. Ela era o contrário do contrário, preto-e-branco, sem escalas de cinza. Tons perdidos, palavras desempregadas, corredores sem fim.
Ela evaporou.

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