bueiro, me abrace forte!

terça-feira, 29 de junho de 2010

sábado, 26 de junho de 2010

Três grandes pedras

Eu ainda esbarro nas suas reticências...

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Eu só queria que você soubesse

Eu te amei muito. Nunca disse, como você também não disse, mas acho que você soube. Pena que as grandes e as cucas confusas não saibam amar. Pena também que a gente se envergonhe de dizer, a gente não devia ter vergonha do que é bonito. Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo, e que então tudo vai ser mais claro, que não vai mais haver medo nem coisas falsas. Há uma porção de coisas minhas que você não sabe, e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi de você e voltei e tornei a fugir. São coisas difíceis de serem contadas, mais difíceis talvez de serem compreendidas — se um dia a gente se encontrar de novo, em amor, eu direi delas, caso contrário não será preciso. Essas coisas não pedem resposta nem ressonância alguma em você: eu só queria que você soubesse do muito amor e ternura que eu tinha — e tenho — pra você. Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém, como você existe em mim.  

|Caio Fernando Abreu|

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Sobre a amizade

O amigo bebe junto.
O bom amigo cuida para que você não suje seu cabelo na hora de vomitar.

É preciso ter um pouquinho de dor

As pessoas totalmente felizes não conseguem pensar pensamentos interessantes. É preciso ter um pouquinho de dor para que o pensamento pense bonito.
|Rubem Alves|

terça-feira, 22 de junho de 2010

Hoje eu acordei num susto, sonhei que brigava e agora me sinto mesmo dolorida. Sim, somos estranhos um para o outro. Mas sente-se no meu colo, derrame suas banalidades pegajosas, permita que eu conte sobre o Caio e aqueles dragões. Aproveite que estou lotada de humanidade e enrole-se nos meus cachos, vamos remover nossas ataduras com delicadeza. Estou todinha necessitada de qualquer coisa, inclusive da sua voz mansa e pausada que me atravessa feito flecha.

Olha, tanta ternura me devora até as vísceras!

... e eu te comeria numa boa.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

My way of life II

- Eu, que nunca tive sequer metade da meiguice e educação dela, mandei-o à merda com muito prazer.
- Eu sou seu fã!
- À merda você também!

sábado, 19 de junho de 2010

da natureza



nada se perde, tudo se fode:
os filhos de deus
e os filhos de god

 Adelaide do Julinho

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Aguente, ele me disse. Aguente só até amanhã, até o fim de semana. Aguente até o próximo mês e respire. Deixe o ar entrar, mas deixe que saia também. Suporte esse peso nas costas, esse medo de pulsar. Suporte principalmente os espaços vazios que te deixaram e não toque mais nesses machucados. Não tranque as palavras para não adoecer como você sempre adoece nos dezembros. Ainda que não sirvam para nada, liberte-as. Alimente sua úlcera com café, se isso for capaz de te acalmar. Ou que sua dor tenha outro nome, não importa. Mas aguente até amanhã e depois. Sem que precise de um motivo, sem que haja qualquer sentido.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Sempre tarde

Ele já estava de costas quando ela finalmente inventou uma coragem - sim, inventou, pois era covarde e todos sabiam - para dizer algo. Mas era tarde demais e a chuva também ajudou a abafar a tentativa. Ela deu de ombros, como se o ponto final já tivesse sido imposto muito antes. Ele era inalcançável, distante, intocável. 

Ele era amor.

E o amor sempre se tornava cinzas antes mesmo que ela pudesse sentir o calor das chamas.

domingo, 13 de junho de 2010

- Hey, vamos criar algo juntos. Escrever um livro! Um só.

- Não há nada mais óbvio que o meu fracasso...

- Gostei. Esse será o título!

- Ah, vá...

- Já estou imaginando a grana que vamos ganhar. E depois você vai fugir com um cara pro Texas e me deixar à míngua...

Ou míngua ou transborda

Ela esvaziou. Viver já não era urgente, não gritava, não batia na porta. Viver não era um convite. Viver tronou-se uma escolha e não mais um ato involuntário, uma reação, um reflexo. As dores, ah, as dores que não doíam. Não doíam ainda que tentasse afundar o dedo indicador nas feridas. Não sangravam. Ela era o contrário do contrário, preto-e-branco, sem escalas de cinza. Tons perdidos, palavras desempregadas, corredores sem fim.
Ela evaporou.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Havia um mundo inteiro. Mais perto ainda, já quase dentro dela, havia uma cidade. Uma cidade iluminada debaixo dos seus pés. O vento cortando a pele, esvoaçando os cabelos, ameaçando fazer com que perdesse o juízo. Diante daqueles olhos estava escancarada a possibilidade do fim. Um passo à frente, um único passo no vazio. Escuro. Eterno.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

O que fazer quando as promessas já foram devoradas pelas traças? Eu fico com cara de tonta folheando o diário, o coração se encharcando de lágrimas. Tudo bem, que encharque, mas que não saiam pelos olhos. Tenham dó, eu não vou desidratar de tanto chorar enquanto essas atrizes escrotas estão sendo pagas pra isso. É, mas parece que eu gosto mesmo é de carregar minhas feridas como um troféu, exibir meus cortes abertos. Hey, olhem para mim como eu sou desgraçada! Eu sou um aborto de mim mesma, uma demente tentando colocar pra fora essa idiotice toda. E essa idiotice parece não ter limite.

Ai, meu coração e suas ironias! 

- Oi, olha eu aqui me expondo ao ridículo de novo...

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Nos olhamos.
Fingimos não nos conhecer.
Fingimos?

Eu coleciono cinzas. As minhas minhas próprias cinzas.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Não me valeu

Tá limpo. Sem ironia. Sem engano. Amanhã, depois, acontece de novo, não fecho nada, não fechamos nada, continuamos vivos e atrás da felicidade, a próxima vez vai ser ainda quem sabe mais celestial que desta, mais infernal também, pode ser, deixa pintar. Se tiver aprendido lições (amor é pedagógico?), até aproveito e não faço tanta besteira. Mas acho que amor não é cursinho pré-vestibular. Ninguém encontra seu nome no listão dos aprovados. A gente só fica assim. Parado olhando a medida do Bonfim no pulso esquerdo, lado do coração e pensando, pois é, vejam só, não me valeu.

|Caio Fernando Abreu|

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Persistência que rasga

Pra você 
eu tinha guardado
uma tarde fria de outono no parque.

- burra pra caralho mesmo.

Ninguém podia ver

mas a eternidade cabia milimetricamente nos olhos dela...

domingo, 6 de junho de 2010

Anneke van Giersbergen & Danny Cavanagh

Blackmore Rock Bar, 05 de junho de 2010.

Realmente uma noite inesquecível, por dois grandes motivos. O primeiro, claro, a brilhante performance destes dois grandes artistas: Anneke, com sua voz encantadora e uma simpatia e paciência que merecem ser estudadas; e Danny, instrumentista e compositor genial, com uma presença de palco incrível. Enfim, foi um show acústico perfeito e emocionante, que me arrepiou do começo ao fim.
Segundo motivo (e não menos importante), foi eu ter o privilégio de encontrar um amigo que conheci através da internet, há mais de cinco anos atrás e que, sem dúvida alguma, é uma das pessoas mais especiais que (por azar dele e sorte minha) entrou na minha vida. Pude entregar a ele uma singela lembrança que guardava há anos e "bebemoramos" o quanto nos foi permitido.

Às vezes coisas maravilhosas acontecem em nossas vidas, e deixar de comentar sobre chega a ser um pecado. Eu poderia escrever muito mais, mas prefiro apenas embrulhar a noite de ontem na enternidade.

I wish I never left... I wish I never left...

sábado, 5 de junho de 2010

Eu fiquei de braços cruzados enquanto você preparava sua mala. Eu fiquei de braços cruzados enquanto o café em cima da mesa esfriava, e eu esfriava junto. Acho até que eu esfriava mais rápido. Não sei dizer exatamente, eu sempre acabo ficando confusa. As garrafas já estavam vazias, o cinzeiro cheio e eu continha as lágrimas, imóvel, inexpressiva.

Eu não poderia fazer nada, a não ser te ver partir.
Mais uma vez.
E assistir a tudo isso de braços cruzados.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

quinta-feira, 3 de junho de 2010


Olheiras profundas pelas noites insones, a garganta arranhando e os olhos em chamas. Já não restava nada, ficou oca em pouco tempo. Secou, esgotou, acabou. Agora nem espremendo sai. As mãos ainda tentam escrever, o cérebro tenta coordenar as ações e aquele músculo involuntário dentro do peito, entre hematomas, insiste em bater.

Mas há quem diga que para tudo existe cura.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Tornava-se toda dramática e viver doía.
|Clarice Lispector|