bueiro, me abrace forte!

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Hadouken I


Um dos muitos 'hadoukens' que já levei nessa vida foi descobrir que não posso ser doadora de sangue. Isso ocorreu pouco após eu completar 18 anos. Eu sentia uma necessidade de ser útil, ajudar alguém nesse mundãodemeudeus com meu sangue tipo O. E lá fui eu para o hospital, bem cedo. Enfrentei a fila. Teste de glicemia: OK. Aferir a pressão sanguínea: baixa, mas OK. Enfim, a próxima etapa: a entrevista com a médica. Eu tinha a idade, o peso e me achava em condições físicas para realizar essa grande e bela ação. A médica foi super simpática, eu me senti muito a vontade. Hepatite? Nunca. Drogas injetáveis? Jamais. Tatuagem recente? Quem dera. Relações sexuais? Nem perto, nem beijo na boca dei, doutora. Alguma doença respiratória? Ops, asma. Usa broncodilatadores? Uso. Bem, você não pode ser doadora. Como assim, por quê? Durante o processo, você perde oxigênio junto com o sangue que retiramos, enfim, você pode morrer.


Inaptidão definitiva para doação de sangue.

Saí da entrevista derrotada. Eu precisei viver 18 anos para concluir que minha existência não tinha serventia alguma. Nem para doar meu sangue, nem isso, cazzo! Que merda, nada em mim prestava, absolutamente nada!

Fiquei deprimida por meses. Troquei o dia pela noite. Estava entregue ao ócio. Meu nome era Tédio. Estava entregue ao ostracismo. O êxtase do meu dia era o cine corujão. Eu era um cadáver à espera de quem quisesse fazer a parte suja do trabalho. Foi gostoso, eu perdi alguns quilos, meu ciclo menstrual foi interrompido por dois meses e eu pensei "maravilha, adeus cólicas, enjôos e vômitos - eu me tornei um homem!". Mais uma vez a minha ingenuidade me passou a perna. Que rasteira colossal. Quando a minha menstruação finalmente veio, ela veio com tudo e mais um pouco. Eu estava me esvaindo em sangue, escoando pelo ralo, literalmente. Meu nome Tédio adquiriu um sobrenome: Tédio do Rio Vermelho. Minha morte era certa se eu não procurasse um médico com urgência. Dessa forma, seria realmente melhor não procurar.
Mas eu acabei concluindo que se gasta muito dinheiro para enterrar alguém. Meus pais não iriam gostar. Além disso, seria frustrante minha mãe contando que sua filha foi encontrada morta e completamente seca, sem uma gota de sangue dentro dela. Sem contar, é claro, que eu seria o assunto da festa do próximo natal.

- Mãe, estou morrendo! Estou parecendo um carimbo vermelho marcando todas as cadeiras em que sento. Preciso passar no médico para saber quantos dias ainda tenho para viver. Preciso avisar meus amiguinhos virtuais que só responderei scraps através de um medium.

Minha mãe se compadeceu e fomos ao pronto socorro. Ala ginecológica. Nessa ala eu descobri que tinha verdadeira fobia de grávidas. Eu quase pari um feto imaginário junto com aquelas mulheres que estavam sofrendo as dores do parto.
Foi horrível.
Finalmente, fui atendida. Eu estava crente que o médico fosse extrair meu útero com um fórceps e tudo ficaria bem. Ou não.
O médico apalpou meu ventre apenas. Excluídas algumas possibilidades e depois de um mero exame de sangue (para isso meu sangue serve pelo menos) constatou-se que eu estava num quadro de menorragia devido a uma anemia. Injeções na bunda, remédios à base de ferro e alguns fitoterápicos aliados a hábitos mais saudáveis seriam capazes de resolver o problema. Resolveram. E eu não morri. Foi só um hadouken.

Um dos muitos.

3 comentários:

- sáminina. disse...

ehoieuheiuheui. trágico e cômico ao mesmo tempo! Estou seguindo..
beijocas!

Leni disse...

É, exatamtamente,c oncordo com Sáminina, trágico e cômico. :D Sou doadora de sangue, embora não tenha ido doar faz um bom tempo... Mas você se superará em outras atividades, será útil para outros fins... hehe
beijos

kokeshisblog disse...

KKKK esse eu tive o prazer de OUVIR ^^= RS RS RS RS RS