bueiro, me abrace forte!

domingo, 2 de maio de 2010

Era domingo

Deitou-se na cama a fim de se afogar em lágrimas, morrer asfixiada com o próprio vômito ou qualquer coisa que fosse capaz de colocar um ponto final àquilo tudo. Aguardou por mais de quinze minutos e o pranto não veio. Permaneceu fitando o teto cor de gelo como se isso pudesse oferecer algum conforto, como se um anjo pudesse surgir iluminando o quarto e estender sua mão até ela. Ela desejava que o sobrenatural a tocasse com tanta força que a fizesse acreditar novamente em qualquer coisa. Mas nada aconteceu. Apertou o dedo indicador contra a garganta e finalmente percebeu que sequer a ânsia viria dessa vez. Estava só, completamente só com suas vontades inexplicáveis, sua insanidade. Não havia nada para sair, embora as pontadas no estômago persistissem, embora se sentisse cheia de alguma coisa enorme e desesperada para escapar. Sentia uma necessidade urgente de se rasgar para se livrar daquele incômodo, mas não sabia por onde começar e também não estava convicta se realmente existia algo lá dentro ou era uma impressão causada pela falta dos psicotrópicos. Então quis deixar pra lá, sabendo que aquele estado prostrado não resolveria nada e que a resposta para qualquer questão maluca que ela inventasse a deixaria ainda mais confusa. Mas quando se deita da forma como ela estava deitada e entregue à loucura, fica impossível pôr-se em pé mais uma vez. E disso ela sabia.

Um comentário:

Myrella Andrade disse...

E eu so ficava dizendo pra mim mesma:pense em outra coisa,qualquer coisa que não seja loucura.Mas eu pensava,porque quem foge de instintos como esses,são covardes.E isso ela não era.

Sei como é...