bueiro, me abrace forte!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

à mercê das teorias

Meu mais querido e inexistente diário,

Hoje à tarde eu passei horas debruçada na janela do quarto que não existe, observando diretamente do nono andar que não há nesse prédio pelo simples fato de eu não morar em prédio algum, mas que agora tanto faz, porque eu só fiquei observando a rua deserta que eu não podia enxergar. Segurei um punhal imaginário  contra o peito que representava aquilo que eu mais desejava ser e não sou por puro descuido que eu tenho e me privo e me privo de ser, enfim, alguém. Mas eu sinto que estou sempre perto de ser, a um passo de. Alguma coisa aqui anda me sufocando e eu disparo para logo depois parar ali na frente e eu me concentrar mais uma vez no meu pânico que me desafia e me força a manter no centro de tudo isso os meus dramas mais mesquinhos. É estranho como não sei exatamente dizer o que quero, mas digo e repito e em seguida já me contradigo sobre aquilo que não quero. Estou queimando minhas possibilidades porque deixei meu sofrimento no piloto automático, deixei que o bicho do cinismo se apoderasse da minha boca para ficar passeando, pisando em minha língua devagar e deslizando junto com a saliva, invertendo os pólos e cantarolando o dia inteiro. Desse modo eu deixo que me analisem no silêncio, já que eu gosto de ficar à mercê das teorias.

Acho que eu só quero a minha unha de volta e escrever ideia com acento. Eu sinto muita falta de coisas como essas e das putas tristes, das garrafas cheias e bromazepam.
Há quem diga que eu não valho meia pinga.

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