bueiro, me abrace forte!

domingo, 4 de abril de 2010

Mas eu corro

Cada passo que dou é uma tentativa de voltar para trás. Meus pés acumulam bolhas por não saírem do chão e eu carrego no peito uma certeza  pesada de que tudo não passa de um absurdo. Um absurdo que me assombra, que me faz assassinar aquilo que os outros querem me dar de melhor. Minha natureza é exatamente essa: cortar antes que cresça; e tomo a providência digna de alguém covarde que é repelir aqueles que têm o poder de me tocar fundo, principalmente os lugares  que julgo inacessíveis. Escorregadia e insensata, eu sou um rancorzinho sistemático e louco, um corpo parvo habitado por uma alma afônica e engasgada com os gritos estridentes das perguntas que não faço. Absorvo meus soluços ásperos de desespero com doses cada vez maiores de aflição e o que acaba por se esvair de mim é um mero gemido mudo, um suor gélido de uma dor que não se explica. Tenho um temperamento melancólico e inadequado que está distante da compreensão. Minhas palavras se resumem a cacos pontiagudos do mais absoluto nada porque não são capazes de expressar o que sinto, me saem como farpas arrancadas diretamente da derme com toda violência, fato que talvez justifique meus momentos de silêncio e procrastinação, esse meu isolamento doentio e, aparentemente, ingrato e sem lógica.

De nada vale folhear o meu catálogo de erros se a única coisa que faço é me condenar até o fim, sem qualquer respeito a mim mesma. Sou inteiramente submissa à minha própria crueldade e nem ao menos espero que entendam o quão desgraçada e miserável sou por isso, pois o pior de tudo é saber que por mais que eu corra ou me esconda de tudo e todos, eu sempre estarei comigo - o que é insuportável.

2 comentários:

Mônica Wesley disse...

Corra Lola Corraaa..... =*

Phil disse...

I Ran (so far away)
http://www.youtube.com/watch?v=uUjIA3Rt7gk&feature=fvst