bueiro, me abrace forte!

sexta-feira, 2 de abril de 2010

então foi assim que eu pensei em escrever sem letras maiúsculas ou vírgulas ou pontos e principalmente as reticências que é pra tirar o fôlego de quem lê porque é assim que eu me sinto quando tento ir até a superfície para respirar já que aqui embaixo eu fico engolindo tanta água suja e podre e o problema é que nesse poço os degraus estão cheios de limo e eu escorrego e caio e me firo e vou perdendo a esperança e quero desistir deixar pra lá e aceitar o meu destino cruel e ficar submersa sem que ninguém ouse me resgatar pois seria inútil salvar alguém que não quer ser salvo alguém que só quer afundar nesse poço doido sem fim e ponto

Um comentário:

jaqueline disse...

'Primeiro você cai num poço. Mas não é ruim cair num poço assim de repente? No começo é. Mas você logo começa a curtir as pedras do poço. O limo do poço. A umidade do poço. A água do poço. A terra do poço. O cheiro do poço. O poço do poço. Mas não é ruim a gente ir entrando nos poços dos poços sem fim? A gente não sente medo? A gente sente um pouco de medo mas não dói. A gente não morre? A gente morre um pouco em cada poço. E não dói? Morrer não dói. Morrer é entrar noutra. E depois: no fundo do poço do poço do poço do poço você vai descobrir quê.'


... O FUNDO DO POÇO NOS PERSEGUE!