bueiro, me abrace forte!

sexta-feira, 9 de abril de 2010

É preciso



É preciso coragem para não dormir. Mas é preciso dormir. É preciso ainda mais coragem para acordar, porque é preciso abrir os olhos e é preciso olhar. Muitas vezes é preciso fingir que não vê. Mas é preciso ver para poder fingir que não, porque é preciso aprender a enxergar. É preciso enxergar para seguir, porque é preciso andar e é preciso correr. É preciso tropeçar, porque é preciso aprender a cair. É preciso levantar, mas também é preciso ficar no chão. É preciso não se perder entre a falta de sentido e direção. É preciso perder, porque é preciso encontrar. É preciso tentar, porque é preciso aprender a desistir. É preciso fechar o livro e encarar, porque é preciso não se dissolver nas próprias lágrimas. É preciso saber a hora toda hora e é preciso saber a hora de parar. É preciso também continuar quando a hora chegar. É preciso chegar, porque é preciso partir para depois voltar se for preciso.

É preciso aceitar que se pode morrer milhares de vezes, porque é preciso sobreviver. É preciso não perder a calma e estancar a hemorragia, porque é preciso pulsar sempre quando for preciso.


É preciso suportar o rombo no peito e a maldita agonia do mundo.

É preciso.
Eu preciso.

Preciso?

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