bueiro, me abrace forte!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

As coisas se complicam pra mim – que recorro quase sempre (e por que, meu Deus?) ao mesmo erro. O que consigo é me curar de um vício no outro. Não dá pra contar e/ou esperar algo em troca. Também é impossível arrebanhar sequer uma pobre alma e lançá-la no inferno ou no céu que desejamos. Eu to desistido dos outros. Eu quero mesmo é privar de mim, por desforra – todavia é impossível. Por isso, agora, entendo, é que estes pássaros voam ao meu encontro, aqui, atrás da Igreja da Imaculada, no sentido oposto – querem a noite e a alma que lhes roubei por falta de opção – e se espatifam desesperados nas vidraças. Ah! O desespero! Foi deste jeito, com a alma dos pássaros, que aprendi a voar.
Não há, entretanto o que esperar ou querer, há o devir que arrebata e escraviza e a paisagem rebocada é sempre a mesma. Às vezes descerro as cortinas negras do bangalô e desejo o apocalipse. Talvez o que me mantenha seja mesmo esta solidão amaldiçoada, doida e confusa. De quem – como eu – não sabe fazer para amar e ama no travo, perdida em si mais do que deveria, para além do amor. O que eu consegui ao longo do tempo – já disse e repito – foi acumular solidões. E o horizonte, minha querida, somente não é uma farsa completa porque o sol cai atrás, todo dia.

Marcelo Mirisola In Bangalô

Um comentário:

Manuela Acioly disse...

E mesmo assim aceitamos as novas vindas sabendo das idas....
Parabéns de novo pelo blog =]