bueiro, me abrace forte!

sábado, 24 de abril de 2010

22's

Eu te amei por exatos vinte e dois segundos. Eu te amei até sentir pontadas no meu peito oco, uma dor pungente que me desorientou. Eu te amei tanto que ouvi um baque surdo em algum lugar dentro de mim enquanto o vento nos dilacerava naquele começo de noite. Eu te amei por vinte e dois segundos de puro descuido, sem saber que seus olhos de lança iriam me ferir da maneira mais grave. Eu te amei como ninguém jamais conseguirá te amar, porque eu te amei com todos os erros de concordância possíveis. Eu te amei ignorando a análise sintática e morfológica. Eu te amei por entre os vãos das palavras, inclusive das não pronunciadas - lugar em que me encontro agora. Eu te amei silenciosamente com mais intensidade à cada segundo que transcorria enquanto estávamos parados aguardando o sinal abrir e...

Eu te amei sem economia, persistindo no erro mais tolo e imensurável, justamente por saber que eu não poderia te amar. Mesmo não me sendo permitido, eu te amei. E eu te amei sem querer nada em troca e sem qualquer cobrança.

Mas depois daqueles segundos contados e cravados em metáforas e hipérboles só me restou uma farpa na pele, um corpo estranho que tratei de remover devido à inflamação.

E agora eu quero que você sofra com seu coração arrebentado e sinta suas malditas tripas arrancadas cada vez que olhar para uma mulher e perceber o quanto ela pode ser pior que eu.

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