bueiro, me abrace forte!

segunda-feira, 22 de março de 2010

São 4h da madrugada e eu estou sem sono. Rolei na cama algumas vezes e não adianta. Liguei o computador. Nova postagem. Escrever. Força, enfia o dedo na garganta e vomita, Karine.

Ok, eu consigo.

Me cobraram tanto que eu perdi o sono. Cobram textos, parcerias, trabalhos, relatórios, minha presença, minha companhia. "Se vista melhor, beba menos, converse mais, atenda ao telefone, socialize, não seja tão hostil, tão dura, estude, trabalhe, viva essa merda e sorria". Você pode não entender nada de matemática, mas a vida te sacaneia, a vida te cobra em progressão geométrica. Que grande bosta. Cobranças exponenciais, que inferno... Cobram até a minha felicidade. Pois lhe digo: esse troço que chamam de felicidade passou por mim e nem me deu oi. Eu fui deixada para trás, fui abandonada e nem questionei. Então não me cobrem. O que eu tenho é uma tristeza que me devora por dentro para depois cuspir meus pedaços. E eu não sei o que fazer com eles. Porra, eu quero afundar na poltrona e tragar meu cigarro, secar uma garrafa de vodka vendo as pás desse ventilador girarem. Eu quero mesmo é me arrastar na minha própria lama, lamber minhas feridas, saborear o meu rancor até a última gota. Porque eu não sou suficiente, porque eu não quero estar no centro. Quero ficar nas margens, nas minhas beiradas, continuar a viver das sobras.

Por favor, aspirinas para suportar essa dor existencial. Grata.

Um comentário:

Mônica Wesley disse...

Nossa, consegui imaginar exatamente a cena...
Como dizia Nietzsche,”Há pessoas que já nascem póstumas”
Eu tbm sou uma delas, e as cobranças são as mesmas... Boa sorte!