bueiro, me abrace forte!

quinta-feira, 4 de março de 2010

Fica quieto, suas palavras não adicionam nada. Já sei de tudo, decorei essa lorota, toda noite é a mesma coisa. Deixa eu te contar tudo o que tá rolando por aqui, garoto. Me acompanha? Ah, benzinho, eu me esqueci: você não bebe. Nem fermentado nem destilado, porque cuida do corpo. Quantas horas na academia puxando ferro? Deixa pra lá, nem estou a fim de saber. Quer cigarro? Esqueci também: você não fuma. Faz bem, você está todo certo. Mas olha só, jogo a fumaça na sua carinha bonita, tão diferente da minha, que é inchada e borrada de maquiagem. Já vi muitos de você, em toda esquina tem um igualzinho, até no modo de se vestir e pentear essa merda de cabelo. Acho uma chatice, uma tremenda chatice. Mas igual a mim, você já viu? Talvez sim. Talvez uma de mim sentada na sarjeta bebendo cerveja, talvez outra lendo um livro velho no metrô com fones nos ouvidos ou, pior, uma garota com a cara amarrada e os braços cruzados com aquele ar impaciente de quem espera por alguém, encostada num muro sujo qualquer. Mas essa espera doída nunca é recompensada, porque o amor que ela quer nunca chega, porque a cerveja nunca é suficiente para curar tanta solidão, porque nem mergulhada na literatura ela se conforta. Dessas você já viu algumas, mas não muitas, eu sei. Não deu importância, porque não fazia parte do seu mundinho ridículo. Mas e agora eu aqui parada, sozinha e dissimulando simpatia, você se aproxima todo empolgado, não é?! Vá à merda você e todos os outros, não me encha com esse papinho de "gatinha-minha-querida-quié-que-você-faz-da-vida" que eu vomito fácil, aqui e agora, porque eu não suporto tua falsa empatia e esse excesso de músculos hipertrofiados. Ah, não gosta de ouvir essas coisas? Olha pra mim, tô com jeito de quem se importa? Você vai sair daqui me xingando e logo virá outro e outro, enquanto eu estiver aqui virão todos, acredite, eu sei como é. Porra, caralho, que merda, eu só me deprimo com esse lixo!

Mas eu sou ainda mais idiota que você, porque eu tenho esperança de que alguém pode vir aqui pra me puxar pela mão e me salvar.

Um comentário:

jaqueline disse...

Fui a primeira a ler *--*