bueiro, me abrace forte!

terça-feira, 30 de março de 2010

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Doa-se um amor.

Com toda a sinceridade e humildade, devo declarar - sem qualquer resquício de dor - que meu amor se afogou no seco e jaz gangrenado no chão. Pobrezinho, só mastigava pedras de desilusão, foi perdendo os dentes, e, mesmo assim, abria um sorriso desdentado, todo satisfeito, exibindo  sua necrose gengival. Aos interessados, faz-se necessário saber sobre seu estilo de vida: meu amor fora viciado em tristeza, vivia na sarjeta, bêbado, chorando com prostitutas; mas se manteve, sem sombra de dúvida, puro e inocente. Assim, após absorver todas as amarguras, hoje ele jaz fétido, podre, contaminado por melancolia e coberto por confetes de lembranças nostálgicas. Quem quiser, esteja à vontade, que coma essa merda que já não pertence a ninguém. Que se farte, pois, embora impalatável por tamanha acidez, é possível saciar algum faminto - mas sendo imprescindível fazer o uso abusivo de vodca como acompanhamento.

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