bueiro, me abrace forte!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Nem um bolero

Os cotovelos apoiados no balcão, encarava o bartender. Contou a ele: pois é, e tudo o que ficou foi o que se desprendeu. Ele não deu atenção. Ela continuou: pequenas lascas, no máximo, e girando no olho do furacão, escapando desses meus dedos de unhas compridas pintadas de vermelho. Blá blá blá, desistiu dele e passou a conversar consigo. Garrafas de café durante a madrugada, discos de blues e lexotan, lembrou fatigada. Um último suspiro por essa história que já não vale mais nada, prometeu. Não cumpriu, pois o coração continuava a bater. Insistente mesmo entre os hematomas, mesmo com a ferida aberta que latejava. Coração esburacado e idiota, maldita insistência. O amor é infecção generalizada, escreveu no guardanapo. Mas não havia nada de poético ou fabuloso, não servia nem para compor um bolero sequer. Nem um bolero. Girou mais uma vez o dedo dentro do copo vazio com duas pedras de gelo, apagou o cigarro e pediu outra dose. O bartender atendeu.

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