bueiro, me abrace forte!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Acreditava que sim. Que sim. Sim.

Os pés enfiados na areia morna, a brisa resfrescando a face - a pele branca que escondia um monstro tímido. Era monstro porque assim nasceu, não lhe pergutaram o que queria ser, não lhe deram opções. Nasceu monstro e ponto. Ninguém acreditava em sua boa índole e nem ela sabia se a tinha de fato. Mas queria acreditar. Queria, sim. Sim. Ficou ali parada quase uma hora inteira, sem dizer nada, sem dar atenção as pessoas em volta, quase não piscava porque temia deixar escapar algum movimento de ondas. Simplesmente ficou ali, com o olhar perdido e uma ruga entre as sobrancelhas. Quem a visse assim, diria que estava procurando algo, tamanha sua seriedade e concentração. Mas não estava. Longe disso aliás, estava apenas querendo se perder um pouco, ficar alheia, biruta, tonta de loucura ou qualquer coisa absurda que pudesse aliviar tanta dor de existir - embora tivesse grandes dúvidas a respeito de sua própria existência. Seu corpo pedia por isso e a mente implorava, gritava durante a noite para assustar o sono. E conseguia. Já estava há quase uma semana sem dormir, olheiras profundas, aparência mórbida, sem energia. Menina-zumbi, dizia sua avó. Para dar jeito, só mesmo admirar o mar, o horizonte vermelho de fim de tarde, o sol querendo se deitar, cheio de preguiça. Descobriu uma maneira saudável de se perder para se sentir viva, nem que fosse por alguns instantes. Dormiria bem essa noite. Acreditava que sim. Que sim. Sim.

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