bueiro, me abrace forte!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Eu estou aqui e é isso o que importa agora. Então senta, larga esse cigarro e presta atenção, porque tudo está prestes a se partir. Juro que estou tentando segurar, mas não estou aguentando mais. Pesa feito chumbo, estou formigando por inteira. Ouça bem, pois é verdade o que digo, ainda mais quando eu ensaio e minto. O mundo inteiro me apavora, entende? O mundo inteiro! Até os copos vazios em cima da pia. Até esse cinzeiro lotado de bitucas. E chorar não basta. Tudo escorre por entre meus dedos, tudo se perde a cada momento e não há o que fazer para reverter. Mas isso não é nada enquanto você continua viva e o chicote permanece estalando em suas costas, deixando a carne exposta, sangrando e apodrecendo. Eu já deveria ter parado de tentar ir contra a corrente e fechar meus olhos para não arderem. Tantas e tantas vezes eu deveria ter aceito. Ter sido mais esperta, menos ingênua. Ter sido outra pessoa. Mas talvez eu morra repetindo tudo isso com espamos pequenos e sussurros profundos enquanto você continua com seu cigarro na boca, entediado.

Um comentário:

Régis Eleutério M. Brandão disse...

Intenso e profundo hein...

mais alguns textos e viro seu fã, juro!