bueiro, me abrace forte!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Estava sentada à mesa, no café de sempre. Centro da cidade, tarde de feriado, calor infernal. Nada mal. Comecei a reparar em todos os cantos, nos detalhes do lugar, nas pessoas. Percebi então a maldição: ele não estava lá. Não mais. Nunca mais. Nem nos cantos, nem nos detalhes, muito menos nas pessoas. Nada. Ele só existia na minha memória agora. E essa era a crueldade, a minha crueldade comigo mesma. "Já é hora de recomeçar" eu repetia sem deixar a voz escapar, apenas movimentando os lábios. Acho que o senhor da mesa à frente percebeu. Ele também estava só. Solitário com seu jornal, despreocupado e meio alheio ao tempo. Deve ser coisa da idade avançada e eu tão nova já compreendo. Sorri para ele, aquele sorriso de quem diz "prazer, sou uma idiota". Ele sorriu de volta. Por pena, solidariedade ou educação. Mas sorriu. E eu corei. Quis sorrir, com aquele sorriso de quem diz "a timidez é uma merda, meu senhor", mas desviei o olhar, abaixei a cabeça. Um gole de café ajuda muito nesses casos. Quente. Amargo. Nada mal. Eu até gostaria muito de me sentar ao lado dele, conversar um pouco, pois eu precisava de companhia. Qualquer companhia. Mas depois me lembrei que eu já tinha me esvaziado de assuntos interessantes, eu estava em descompasso com tudo e com todos. "Tarde demais para vida", pensei.

Um comentário:

algorista disse...

de onde você tira essas coisas ? tudo que você escreve parece plagio dos meus pensamentos.