bueiro, me abrace forte!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

 Ele era o cara. Ela, apenas uma menina, que nem menina é mais. Ou talvez ainda seja, dependendo do modo como cada um a vê. Mas o que interessa é que ela era uma entre as muitas que ele já conheceu. Entrentanto, havia algo nela, inegavelmente havia algo nela. E ele reconhecia. Confuso. Talvez porque ela se definisse como sendo feita de pedra. Talvez porque ela dissesse que no final dos seus dias acabaria cega. Cega por enxergar demais, pois tinha os olhos intrusos e perturbados. Era uma menina que vivia entre as aspas, rodeada de metáforas e demonstrava isso nas bobagens que escrevia. E, de alguma forma, ele gostava disso. Achava interessante, curioso. Intrigante até. Mas não passava disso. E ela sabia... Pois era apenas uma menina que escrevia a partir das retinas. E ele era o cara que lia. Tudo não passava de uma questão gramatical. Ela era UMA menina e ele era O cara. Artigo indefinido e definido, respectivamente.

Mas o cara nunca entendia...

Um comentário:

jaqueline disse...
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