bueiro, me abrace forte!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Ela se remexe até as tripas
Dá uma de contorcionista
Deixa vazar as lágrimas contidas
E os ácidos do estômago
Grita em agonia e alvoroço

Fecha os punhos, veias azuis pulsando
Os dentes rangendo de dor
Está viva, está viva
Não tem métrica nem rima
Agora deixa sangrar

Hoje ela quer se doer inteira
Arregaçar as fraturas expostas
Esfolar a pele
Alguém pra lhe arranhar as costas

Esfrega as mãos rabiscadas na parede
Sangra e sente sede
Desaba com seus joelhos ossudos no asfalto
É a fome masoquista-corrosiva
Ela se mutila e se mutila

Fuma mais, o pulmão tão preto
Pausa cerebral, um coração desatento
Sorri em meio a tanta podridão
Deixa a sinfonia completa tocar
Desesperada pra se embalar

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