bueiro, me abrace forte!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Por fora, uma armadura de aço. Por dentro, toda ao avesso. Tudo no lugar errado, inclusive os sonhos. Traz sempre os olhos perdidos, distantes e indecifráveis que deixam cair cacos de vidro invisíveis. Com muito esforço ameaça um sorriso quando alguém a tira desse quase transe contínuo. Puro disfarce. Viver tão rápido passou a ser inevitável até mesmo quando está parada e atônita. Sufoca com qualquer aproximação e não deixa as palavras escaparem. Tem uma mordaça imaginária na boca e isso explica tanto silêncio. O toque alheio nunca é bem-vindo. Queima. Somente os goles e tragos são capazes de acalmá-la. Impedem o tremor das mãos. Chega esquiva e parte sem adeus com o peito fechado. Teme deixar escapar algum pedaço da alma destroçada enquanto se arrasta pela vida. Egoísta.

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