bueiro, me abrace forte!

domingo, 20 de dezembro de 2009

O salto alto e a perda da dignidade


Na última noite, resolvi me travestir. Sim! E se arrependimento matasse, no mínimo, eu deveria estar já em estado terminal. E eu não estou brincando. Fui imatura e petulante o bastante para encarar um sapato de salto alto (porém, graças ao que restou do meu juízo que ainda não foi diluído em vodka, o salto não era fino e nem tãão alto assim, apenas o suficiente para eu ultrapassar os 1,80m de altura) para ir numa balada ao estilo mágico e irresistível dos anos 80. Em Pinheiros! Com transporte público, SIIIIM! Muito, mas MUITO antes de chegar ao local, eu já estava praguejando e amaldiçoando o criador dessa arma mortal: o salto alto. Amaldiçoava também minhas amigas que insistiram para que eu usasse este artefato malígno. A dor era dilacerante. E as ruas e calçadas de São Paulo são cruéis, brutais e monstruosas (sem exagero).
Enfim, após sair do metrô consolação, andamos e andamos para encontrar o maldito ponto de ônibus que estava evidente, tão evidente que não encontramos tão rápido assim. Aguardamos quase meia hora até o ônibus chegar. Eu já estava quase chorando de dor. Quase! E mal sabia o que ainda estava por vir (sim, eu sou a criatura mais ingênua que conheço). Desembarcamos na rebouças e, claro, fomos na direção oposta de onde deveríamos ir. Já passava da meia-noite, e as ruas não eram tão bem iluminadas assim. Após caminhar muito, muito, muito e muito, praguejar, e, óbvio, ouvir as gracinhas dos rapazes que passavam de carro, descobrimos o quanto havíamos errado o caminho. Ocorreu então a brilhante ideia de chamar um táxi. Poréééém, como todo infortúnio é pouco, não conseguimos. Voltamos a caminhar mais e mais, e, finalmente encontramos a Darta Jones. Uma balada realmente muito boa e que eu recomendo.
Eu queria beber, eu queria dançar, mas, sem dúvida, o que eu mais queria era o meu tênis. O que eu mais queria era injetar morfina nos meus pés. De tudo isso, apenas bebi (socialmente, claro) e dancei. Não darei detalhes do decorrer da balada, pois isso não vem ao caso, apenas acho válido citar a frase que ouvi de um rapaz de masculinidade dúbia: "Menina, você é louca!". Cinco horas da manhã, ao som de Michael Jackson, a balada termina. Mas meu sofrimento não. Perdi completamente a dignidade e saí de lá descalça. DESCALÇA. DESCALÇA! A minha vontade era de gritar, chorar, espernear e arremessar aqueles sapatos para muito longe de mim.
Conseguimos um táxi.
Conseguimos voltar para casa.
Mas ainda não consegui me livrar dessa dor. Nem de todo ódio que ainda existe no meu coração.

4 comentários:

Saulo Oliveira disse...

Nossa, bichinha, hahahahaha. Eu acho que salto alto fica bonito sim, principalmente para quem tem auto-estima baixa e travesti, de resto, não precisa tanto assim, um look legal se faz por uma combinação de fatores e não só pelo salto.

Régis Eleutério M. Brandão disse...

muito bom o post, gostei apesar de ser um pouco "longo", mas gostei...
mas ainda sim, certos posts seus preciso entrar mais no seu mundo pra entende-los!!!

bejo
= *

Vinicius Noyama disse...

HIASDhiasudhaSUIdahsd
tenso isso... conheço varias garotas que já fizeram isso. All star sempre, mano *__*... ou não ; )
; **

Phelps disse...

Foi querer se vestir de menina