bueiro, me abrace forte!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

De quando a espera é uma doída demora

Se valeu a pena?
Ah, é aquele passo que você dá e dói. Mas tem o resto da dança.


Acho que ele não bate muito bem da cabeça, mas eu gosto mesmo assim.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

- Alô?
- Posso te contar uma coisinha?
- Hã?
- Calma! Eu só preciso de cinco minutos!
- Putz, eu estava...
- Dormindo. Eu sei.
- Deixa eu continuar dormindo então!
- Quer me escutar, por favor?
- Vai, acaba com a minha noite de vez.
- Eu te vi agorinha mesmo.
- Impossível.
- Eu sei. Mas eu vi.
- Pelo amor de Deus...
- E você não parava de dançar. Bebia muito. Mais que eu até. Você precisava ter visto a cena.
- Olha, eu tive um dia cheio...
- Deixa eu falar, merda!
- São quatro da manhã, surtada! Passei a noite toda em casa, agora deixa de besteira!
- Eu sei que ele não era você. Então eu acho que ele roubou o seu boné, porque era igualzinho!
- Eu tenho dezenas de bonés e nenhum foi roubado, eu garanto...
- Mas era igualzinho, eu juro. Isso é muito sério.
- Acabou?
- Não! Porque ele dançava e eu nunca te vi fazendo isso. Mas dançava muito mesmo, sabe?!
- Tá bom. Tô desligando agora, ok?! Um beijo pra vo...
- Espera! Porque tinha a barba. Eu ainda nem te contei da barba! Era impressionante!
- Deixa eu adivinhar... Igual também?
- Era sim! Era bonita mesmo, sabe?!
- Pronto?
- Não! Porque tinha a roupa...
- Camiseta preta e calça jeans. Ah, tenha dó!
- Mas era toda do seu jeito.
- Tá bom. E ele era bonito?
- Bonitinho igual você. Com brincos nas orelhas e tudo.
- Agora você deixa eu dormir? Antes que eu me enforque com o fio do telefone... sei lá, me liga mais tarde pra ficar falando essas suas idiotices...
- Mas eu só tenho essa hora pra falar, você me conhece. Se eu não falo quando tenho vontade, acaba tudo depois. Evapora.
- Pois é. E foi por causa disso que a gente se separou. Você sempre deixava evaporar. Olha, eu ainda gosto de você, mas...
- Fica quieto! Não foi por isso que eu te liguei!
- Foi falar com esse infeliz pelo menos?
- Fui nada. Fiquei com medo que ele tivesse a sua voz também...

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Por fora, uma armadura de aço. Por dentro, toda ao avesso. Tudo no lugar errado, inclusive os sonhos. Traz sempre os olhos perdidos, distantes e indecifráveis que deixam cair cacos de vidro invisíveis. Com muito esforço ameaça um sorriso quando alguém a tira desse quase transe contínuo. Puro disfarce. Viver tão rápido passou a ser inevitável até mesmo quando está parada e atônita. Sufoca com qualquer aproximação e não deixa as palavras escaparem. Tem uma mordaça imaginária na boca e isso explica tanto silêncio. O toque alheio nunca é bem-vindo. Queima. Somente os goles e tragos são capazes de acalmá-la. Impedem o tremor das mãos. Chega esquiva e parte sem adeus com o peito fechado. Teme deixar escapar algum pedaço da alma destroçada enquanto se arrasta pela vida. Egoísta.

domingo, 27 de dezembro de 2009

A beleza de estar sozinho durante a noite é essa: você se debruça sobre a janela para admirar a imensidão de bares e luzes. E pessoas indo e vindo. Tudo tão opaco e sujo. E você não tem nada nas mangas: só um grito rouco por dentro. Talvez uma garganta seca. Talvez. Mas a verdade é que você só tem essa paisagem de infernos noturnos que uma cidade grande te proporciona. Talvez você disponha de um telefone também. Mas isso faz perder todo o encanto. Porque o agradável é você mergulhar no seu labirinto interno sem nenhuma interferência. E você mergulha.

Eu já me afoguei!

sábado, 26 de dezembro de 2009

O inferno mora no 14º andar

Entrei no elevador prestes à vomitar. 14º andar. Que saco, isso levaria uma eternidade! Antes da porta se fechar, meu vizinho entra. Que saco! Esse garoto é um inferno e eu nem sei o nome dele. Mas odeio o modo como ele me olha. Esses olhos castanhos. Agora a eternidade se multiplicaria pela própria eternidade. Juro por Deus.

Diabolicamente, ele tentou puxar assunto:

- Oi! Tudo bem?

Eu quis dizer que estava de porre, mas... ah, acho que era evidente. Resumi meu estado:

- Bem.

- Andou tomando umas, ?!

- É!

- Quer ir pro meu apartamento? A gente conversa um pouco, bebe ou come alguma coisa. Quero aproveitar que hoje você está simpática.

Não disse que esse garoto é um inferno? Tenho quase idade pra ser a mãe dele (nem tanto, mas é assim que eu me sinto), e ainda sim ele não me respeita. Ele é um inferno cheio de vida e tem lá seu encanto. Ou talvez eu esteja bêbada feito uma gambá no cio.

- Deixa pra outro dia, cansada.

- Ah, não! Eu estou sozinho hoje, meus pais foram viajar. Diz que sim!

Esse filho da puta não deve nem ter 20 anos e tá querendo me comer? Será que ele perdeu completamente a noção da realidade? Fiquei calada. Tamanha era a minha indignação.

Finalmente o 14º andar. Eu já estava indo em direção ao MEU apartamento quando ele me pega pelo braço. Um tremendo filho da puta cheio de disposição.

- Você vem comigo.

- Não vou. Eu já fa...

- Você vem comigo!

Então eu pensei "o que é um peido pra quem tá cagado?". Aceitei ir.

- Vou entrar, tomar um café e sair. Sério.

- Já é alguma coisa, adorável vizinha alcoólatra!

Deus está testando minha paciência, ?! Na verdade, é o próprio diabo! Tive certeza!

Entrei no apartamento dele. Se eu estivesse sóbria, certamente iria reparar na decoração, na limpeza e todas essas coisas. Mas eu não estava e isso não tinha a mínima importância: eu era apenas uma vaca destinada ao abate mesmo. O mundo é injusto.

- Senta aí, moça bonita.

Espera! Minha cabeça está girando mais agora. Moça? Moça bonita? Olha pro meu estado! Eu pareço uma capivara penteada até quando estou sóbria, imagina agora! Esse menino usa tóxicos? O cérebro dele derreteu? Ele precisa de ajuda psiquiátrica ou está tirando uma com a minha cara? A juventude está mesmo perdida e não há salvação.

Sentei.

- Vou fazer seu café. E alguma coisa pra você comer, porque você precisa.

Pronto! Agora ele quer ser meu pai. Agora ele acha que sabe alguma coisa, acha que pode cuidar de mim. Querido, me dá sua privada que eu quero mais é vomitar e dormir pra sempre. E com o rosto lambuzado de vômito.

- Só o café mesmo. Já estou de saída.

- Que isso! Você nunca interage com ninguém aqui do prédio, deixa eu aproveitar esse privilégio. Eu sei cozinhar, viu!

- Tá tarde. Outro dia eu volto aqui pra tomar café, tá?!

- Fica essa noite comigo?

- Quê?

- A gente, sabe... Vai, colabora! Deixa de ser...

Para tudo! Minha cabeça está girando de novo. Esse merda é muito audacioso! Alguém me tire desse conto erótico e me transporte pro mundo real, por favor!

- Olha, garoto...

- Eu sei o seu nome e você não sabe o meu. Eu sei dos seus horários, sei onde trabalha e sei também que você nunca traz ninguém pro seu apartamento. E...

- Você é um psicopata, é isso?

- Não! É que eu não me conformo como você pode viver assim! Você é muito sozinha.

- Você não tem nada a ver com a minha vida. Só está a fim de... Enfim. Até aí tudo bem, eu estava quase topando. Só que agora eu já desisti, então vamos deixar pra lá essa bobeira toda. Não vai rolar.

- Não, não. Não é isso. Eu só quero que você...

- indo embora.

- Por que você foge de todo mundo desse jeito? É medo do quê?

- Abre a porta!

- De verdade, eu queria muito te entender. Você é toda fechada pro mundo, até minha mãe já disse isso.

Mãe? Nem sei quem é a mãe desse garoto! Mas já a detesto com todas as minhas forças. Detesto essa vadia bisbilhoteira pela estupidez de ter levado a gestação desse diabinho até o fim. De agora em diante, sou a favor do aborto. É isso!

- Tudo bem, eu mesma abro. Boa noite.

- Espera! Deixa eu te falar uma coisa...

- Mais? Você é um chato que não sabe de porra nenhuma.

- Eu espero que um dia você encontre alguém que não desista.

- Não desista do quê?

Por que eu ainda dou trela, meu Deus, por quê?

- De você. Porque você faz de tudo pra que isso aconteça.

A rapariga que é a mãe dele deve ter dito isso também. Dei de ombros e fui embora. Entrei no meu apartamento e sequer acendi a luz. Sentei ali mesmo no chão da cozinha e adormeci encostada contra a parede. Alguém tocou a campainha, acordei e vi que já tinha amanhecido. Nem me mexi. Estava me fingindo de morta. Quem sabe eu fingisse tão bem a ponto de eu mesma acreditar e morrer de uma vez. Seria muito prático. Seria bom demais para ser verdade.

Então ouvi:

- Abre! Preparei seu café da manhã. Eu sei que você está aí! Abre, vai!

Esse garoto é ou não é um inferno?

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Todas essas luzes de natal


E eu aqui.


O limite é até onde doeu a última vez.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Em meio à tempestade, eu tenho o céu da boca seco. Eu renego meus instintos e minhas vontades e até assopro a poeira contra o vento só pra sentir meus olhos arderem e provar que sou capaz de suportar. Não permito que ninguém passe a mão na minha cabeça ou beije minha testa, embora seja isso o que eu precise. Minha paixão e meu ódio em simbiose me assolando por dentro e transbordando pelos poros e eu lutando para fazer com que a felicidade não seja só de fonte exógena. Mas não consigo.

Aqueles que me querem bem estão cansados e se afastando cada vez mais de mim, e eu não os condeno. Não sou a pessoa que o mundo exige que eu seja, mas eu já me perdoei. De coração.

Eu deixo a porta aberta.

Quem quiser entrar, por favor, esteja inteiro. Chegue o mais perto que puder e se eu me transformar em gente igual essa gente que eu vejo todo dia e sinto nojo, mire na minha cabeça e dispare. Sem hesitar.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Todos os dias eu acordo naquele inverno, com você preso nos meus dentes.


Garçom, por favor, uma dose de esperança sem açúcar e sem gelo para eu poder saborear as migalhas que ele anda me deixando por aí. E um lencinho também, que é pra eu secar um par de lágrimas...

Com um pouco mais de disciplina, eu o esqueceria.

Era nisso que eu acreditava. Mas de repente ele reaparece. Do jeito dele, claro. Do jeito que a tecnologia permite. Um perigo que me assombra, porque eu fico sem saber o que dizer (ou melhor, o que escrever), já que em mim só sobrou esse buraco no peito que eu venho tentando arduamente preencher mas não consigo. O que restou da minha pintura foi apenas um borrão que eu não sei consertar com as tintas eu ainda tenho.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O amor todo sacana usa ray ban só para fingir que é cego.

O amor está sentado com as mãos nos joelhos me encarando com o velho sorriso vermelho - o amor todo sacana faz isso só para me incomodar. O amor me persegue pelas ruas e me apressa apontando para o relógio - o amor todo sacana sabendo que eu não consigo agir sob pressão. O amor me puxa pelos cabelos e sussurra no meu ouvido as piores ameaças - o amor todo sacana sabe o quanto eu sou covarde. O amor ergue minha mão e grita bem alto que eu sou preguiçosa, debochada e não tenho coração - o amor todo sacana me deixa em evidência. O amor ordena que Eros me acerte flechas - o amor todo sacana provocando cicatrizes no meu corpo. O amor canta, dança e pula ao meu redor tentando me impedir de caminhar - o amor todo sacana esperando que eu tropece. O amor me empurra e me golpeia - o amor todo sacana só faz isso porque eu não sei brigar. O amor se apoia nos meus ombros e ri feito louco - o amor todo sacana faz isso só pra me cansar e irritar. O amor come, bebe e manda colocar na minha conta - o amor todo sacana quer me endividar.


O amor sempre tentando me dar uma rasteira - o amor todo sacana quando me vê passar manda beijos e acena.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Constatações - 2009

Eu sempre chego atrasada na vida das pessoas;
Eu sou stalker e me assombro quando descubro que não sou tão invisível quanto eu penso ser;
Amor, pra mim, só se for platônico;
Porre, pra mim, só se for homérico;
Eu tenho muitas histórias ébrias para contar;
Sou muito insensível;
Eu subestimo a maioria das pessoas e superestimo quem não merece;
Meu maior talento é cometer gafes;
Eu me apaixono fácil, mas raramente;
Eu falo muito alto, principalmente quando eu devo falar baixo e uso como desculpa o fato de eu ser descendente de espanhóis;
Metrossexuais me causam náusea;
Eu tenho fobia de grávidas;
Casamento é para os fracos;
Sacanear as pessoas, pra mim, chega a ser uma obsessão;
Não discuto relação;
O "jeitinho brasileiro" me tira do sério;
Gente hipócrita me causa mais asco que gente suada;
Sou mais legal virtualmente... ou não.

domingo, 20 de dezembro de 2009

O salto alto e a perda da dignidade


Na última noite, resolvi me travestir. Sim! E se arrependimento matasse, no mínimo, eu deveria estar já em estado terminal. E eu não estou brincando. Fui imatura e petulante o bastante para encarar um sapato de salto alto (porém, graças ao que restou do meu juízo que ainda não foi diluído em vodka, o salto não era fino e nem tãão alto assim, apenas o suficiente para eu ultrapassar os 1,80m de altura) para ir numa balada ao estilo mágico e irresistível dos anos 80. Em Pinheiros! Com transporte público, SIIIIM! Muito, mas MUITO antes de chegar ao local, eu já estava praguejando e amaldiçoando o criador dessa arma mortal: o salto alto. Amaldiçoava também minhas amigas que insistiram para que eu usasse este artefato malígno. A dor era dilacerante. E as ruas e calçadas de São Paulo são cruéis, brutais e monstruosas (sem exagero).
Enfim, após sair do metrô consolação, andamos e andamos para encontrar o maldito ponto de ônibus que estava evidente, tão evidente que não encontramos tão rápido assim. Aguardamos quase meia hora até o ônibus chegar. Eu já estava quase chorando de dor. Quase! E mal sabia o que ainda estava por vir (sim, eu sou a criatura mais ingênua que conheço). Desembarcamos na rebouças e, claro, fomos na direção oposta de onde deveríamos ir. Já passava da meia-noite, e as ruas não eram tão bem iluminadas assim. Após caminhar muito, muito, muito e muito, praguejar, e, óbvio, ouvir as gracinhas dos rapazes que passavam de carro, descobrimos o quanto havíamos errado o caminho. Ocorreu então a brilhante ideia de chamar um táxi. Poréééém, como todo infortúnio é pouco, não conseguimos. Voltamos a caminhar mais e mais, e, finalmente encontramos a Darta Jones. Uma balada realmente muito boa e que eu recomendo.
Eu queria beber, eu queria dançar, mas, sem dúvida, o que eu mais queria era o meu tênis. O que eu mais queria era injetar morfina nos meus pés. De tudo isso, apenas bebi (socialmente, claro) e dancei. Não darei detalhes do decorrer da balada, pois isso não vem ao caso, apenas acho válido citar a frase que ouvi de um rapaz de masculinidade dúbia: "Menina, você é louca!". Cinco horas da manhã, ao som de Michael Jackson, a balada termina. Mas meu sofrimento não. Perdi completamente a dignidade e saí de lá descalça. DESCALÇA. DESCALÇA! A minha vontade era de gritar, chorar, espernear e arremessar aqueles sapatos para muito longe de mim.
Conseguimos um táxi.
Conseguimos voltar para casa.
Mas ainda não consegui me livrar dessa dor. Nem de todo ódio que ainda existe no meu coração.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

O amor é isso que você está vendo: hoje beija, amanhã não beija, depois de amanhã é domingo e segunda-feira ninguém sabe o que será.

Carlos Drumond Andrade

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

E tem uma menina que guarda nos bolsos da calça a sua coleção de amores errados. Coleciona os cheiros. Os sabores dos beijos. Sonha que um dia o amor a matará enquanto estiver dormindo.
Numa punhalada só.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Fuga


ela vem de muito longe
correndo e carregando
seu punhado de amores não declarados

sábado, 12 de dezembro de 2009


Fissura, estou ficando tonta. Essa roda girando girando sem parar. Olha bem: quem roda nela? As mocinhas que querem casar, os mocinhos a fim de grana pra comprar um carro, os executivozinhos a fim de poder e dólares, os casais de saco cheio um do outro, mas segurando umas. Estar fora da roda é não segurar nenhuma, não querer nada. Feito eu: não seguro picas, não quero ninguém. Nem você. Quero não, boy. Se eu quiser, posso ter. Afinal, trata-se apenas de um cheque a menos no talão, mais barato que um par de sapatos. Mas eu quero mais é aquilo que não posso comprar.

"Dama da Noite" - Caio F. Abreu

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Ah, meu caro, desista de juntar esses cacos. Tem jeito não, quebrou. Estou me esfarelando, dia após dia. Agora está tudo espalhado pelo chão e você aí ajoelhado tentando recolher. Isso só vai resultar em dores na coluna.

Desista como eu já desisti.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009



Porque

às vezes

a gente

só precisa dançar...

"Eu ainda te quero bem"

É verdade, mas nem sempre. Principalmente quando você me dói. Bem na hora que eu acordo e já sinto aquelas pontadas nas têmporas. Mas nada que uma garrafa de café, vodka e cigarros não possam resolver. Minha úlcera tem seu nome. E eu não sou feliz comigo. Acontece que o tempo não tem sido eficaz e eu não te esqueço. E chega a doer. Dor física mesmo. Mas também não choro e, nos últimos dias, parei de me mutilar. Era como se, ao arrancar um pedaço de mim, eu pudesse me desfazer de você. Só que eu não me desfaço. Então eu continuo procurando qualquer coisa que pareça abrigo, até as coisas tortas e podres. Eu, inevitavelmente humana e estúpida, sabendo que tudo vai desabar bem na minha cabeça.

E eu vou esperar.

Sem desespero. Porque eu ainda te quero bem. E eu vou suportar.
Amém.



domingo, 6 de dezembro de 2009

Minha solidão não tem nada a ver com a presença ou ausência de pessoas… Detesto quem me rouba a solidão, sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Hoje pela manhã, senti um quase-afeto.

Contei até três.

Passou.



Vou rolar nuns cacos de vidro por aí.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Não, eu não saio do buraco mesmo.

"Anedonia", me disseram. Eu estou começando a achar comum. Tudo. Tudo mesmo. Digo isso de um jeito, que, se Jesus voltar, eu nem me surpreendo. Amor? Amor o quê? Não, não tem nada a ver com desamor também. Não sei exatamente com o quê tem a ver. Já virou nojo, entende? Nojo de mim, de você, deles. Nojo dessa merda toda que eu sou. Que somos. Que eles são. Mas que se foda, o ano está acabando e já desistiram de me salvar, eu acho. Todos cansados. Vou me entupir de Fenergan ou qualquer outra droga que me faça dormir. Café gelado e muito cigarro. Meus dentes já tão amarelos e eu não quero fazer clareamento ou qualquer porra dessas. Meu dentista me perguntou se havia alguma chance de eu estar grávida, eu tive vontade de rir. Fazia tanto tempo que isso não acontecia (rir). Mas eu não ri. Falei muito séria com ele. Não tinha a menor possibilidade de eu estar grávida. Nem por milagre. Até pensei em me ajoelhar diante dele e jurar pelo nome da minha mãe. Mas depois ele me veio com outras perguntas e eu deixei pra lá a ideia de me ajoelhar. Quem me conhece sabe que eu adoro um exagero. Gosto de falar coisas como carne, sangue, vômito, caralho. Mas eu estava aqui falando da volta de Cristo, não estava? Não, não! Era outra coisa. Anedonia, certo? Bom, foi isso o que me disseram. Tem pré-diposição genética? Deve ter, né?! Porque depressão tem sim, eu sei.

Ahhhhhhhhhhhh

Sabe de uma coisa?

Não adianta botar perfume na merda.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Faça silêncio,

porque hoje eu quero me afogar em qualquer coisa etílica.

Quando cada vez mais, tudo importa bem menos, eu percebo que sequei. De vez. E todas essas metáforas embaralham minha vista.

E o comichão na nuca não passa...

terça-feira, 1 de dezembro de 2009


“Sem preservativos, é com a AIDS que você faz amor. Proteja-se.”

Dezembro


chega a ser brutal.