bueiro, me abrace forte!

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Cheguei firme, cheguei convicto. Daria um beijo na testa daquela menina enquanto ela estivesse dormindo e partiria o mais rápido possível. Sequer tirei a chave do contato. Ah, meu Deus, que farsa! Abri a porta e atravessei a sala. Subi as escadas. Perto. O corredor estava muito escuro, como sempre. Ela nunca deixava nenhuma luz acesa durante a noite. Lembrei do dia em que quebrei minha perna. Lembrei da briga. Dos insultos. Os copos quebrados. Seria melhor deixar apenas uma carta? Dar um telefonema? Ou não fazer nada? O que doeria menos nela? E em mim? Eu sou tão exagerado. Eu estou parado no meio desse corredor escuro segurando uma flor que eu nem sei o nome. E eu quero chorar. Eu quero chorar. Mas não choro. Quando meus olhos começam a arder, logo penso no meu pai. Se eu chorar, ele me parte a cara. Ele morreu há muitos anos, mas ainda pode me partir a cara, eu tenho certeza. Droga! Eu ouvi mesmo esse barulho? Será que ela está acordada? Estúpido! Como eu sou estúpido! Desci correndo as escadas, não olhei para trás. Tranquei a porta e joguei as chaves no canteiro.

Eu vou mandar um e-mail.

Seguinte, gata... Tou partindo. Quando a neve desaparecer, eu volto.

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