bueiro, me abrace forte!

domingo, 13 de setembro de 2009

Esta madrugada tive vontade de te ligar para saber do seu paradeiro, como se isso adiantasse. Tive também vontade de tomar um chá. Mas estava quente demais e no calor minhas vontades derretem. Inevitável: eu sempre arrumo uma desculpa para tudo. O relógio já marcava 3:30, então fui para a varanda fumar aquele cigarro que guardei a semana inteira. Era o último. Não consegui sequer dar a primeira tragada. Apenas o segurei entre os dedos e deixei queimar, como se fosse um incenso. Do nada me veio um ódio muito grande e eu nem sabia do quê. Acho que foi de você. De mim.

Eu me deitei no chão gelado e esperei isso passar tentando resistir para não fechar os olhos, afinal, seria deprimente demais. Imagina se alguém me visse nesse estado? Não, ninguém me veria. Ou veria? Ahh, que merda! Nem isso eu era capaz de responder. E o ódio não passava e eu não esfriava. Diabos! Peguei o celular. Disquei. Caixa postal. Caixa postal. Caixa postal.

EU NÃO QUERO DEIXAR PORCARIA DE RECADO NENHUM PARA VOCÊ!

Eu só queria saber como você está. Eu só queria ouvir a droga da sua voz, entendeu? Eu só queria poder tomar um chá, comer uns biscoitos na cozinha e conversar um pouco, cazzo! Eu só queria te contar uma parábola.

E dizer que naquele ambiente escuro ele não pôde deixar de reparar na garota grande que usava decote. Que dela se aproximou, como um retardado. Mas que ela não deu bola, esnobou. Que ele ficou mais retardado ainda, querendo puxar assunto, querendo puxá-la pra perto de si. Que a música era alta. E ele ansiava pelo feedback dela. Que todos transpiravam álcool e cigarro. Que a lei anti-fumo ainda não estava vigorando. Dizer que ela ignorou, deu as costas e sumiu. Mas que voltou e deu atenção. Então o erro. O erro absurdo. Tão retardada quanto ele, quanto qualquer um ali. Estúpidos.


Nada pessoal.

Eu estou aqui deitada nesse chão gelado, com meus olhos fechados, tentando dissipar esse calor infernal que está fazendo...

E agora eu não tenho nenhum cigarro para me acalmar. Eu fico aqui nesse estado hiperativo por dentro, com centenas de coisas passando pela minha cabeça e querendo arremessar meu celular no jardim. Eu espero que acerte bem nas flores da minha mãe. É.

Vai amanhecer, vai ser domingo. Vai ser um inferno e minha mãe vai se queixar das flores.

HEHEHE, dane-se.




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