bueiro, me abrace forte!

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Que tudo se foda,
disse ela,
e se fodeu toda.

Leminski

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Mas nós somos como as lagartixas que perdem o rabo: logo um rabo novo cresce no lugar do velho. Assim é com a gente: logo a vida volta à normalidade e estamos prontos a amar de novo.
A saudade doída passa a ser só uma dorzinha gostosa.

Rubem Alves in “O AMOR QUE ACENDE A LUA
– O Cemitério”

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Todos já se foram
sobraram só os cacos
os restos
e os tons tristes

Dorme

Dorme, que a vida é frágil
e teu corpo não comporta
tanta injúria
destes teus porres homéricos

Fode

Fode, mas ainda ama
porque o amor é canalha
e te chama de vadia

Lambe

Lambe essas feridas
sente o gosto
do teu próprio sangue
que não é dry martini

Engole!

Agora engole

E sofre

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Mais uma dose
de solidão
ergamos nossos copos
façamos mais um brinde

Um brinde aos traidores
e aos traídos
aos amargos
e doloridos

Brindamos
tragamos
sentados nesse bar
observamos o vento levar as cinzas

E assim
recolhemos todos esses pedaços
é só vida
não há o que reclamar.

sábado, 22 de agosto de 2009

Pega a garrafa e os cigarros e sai. A gente sempre sai, né, sempre inventa um bom motivo e sai. Pega o livro, os cigarros, e sai.
Ok, eu sinto saudade. Assim mesmo: S A U D A D E. Espaçadamente. Com vãos entre uma letra e outra. Enormes vãos. E é aquela saudade que, quando você se distrai, solta um suspiro e coloca a mão no queixo, te faz baixar o olhar e o direciona pro canto direito para contemplar o vazio. Sinto saudade dos seus beijos no meu pescoço, que pareciam ser a cura da minha afefobia. Até sua arrogância lhe caía bem. Saudade de dominar a minha paciência para não esbravejar contigo. Eu sempre tão tensa, sorrindo nervosa e a sua voz calma e hesitante como de quem fumou cannabis a vida inteira. Mas tudo acabou do mesmo modo como começou, sem uma linha de horizonte.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Raspas e restos me interessam

Eu sabia, eu sempre soube: restariam apenas as lembranças.

"Migalhas dormidas do teu pão", não é?

São tempos difíceis, acredite. Acordar e sentir esse frio absurdo. Querer vodka, querer cigarro, querer gente. E agora é tudo diferente. Querer gente. Querer gente. Algo que eu nunca quis antes: gente. Podem me olhar como se eu fosse louca. Pois bem, é claro que eu enlouqueci!
Não sinto sabores há dias, não sinto nada que não seja gosto de sangue e meus dedos sujos percorrem o suor da testa, formando desenhos grotescos. Somar misérias e mais misérias na maioria das vezes só resulta em mais miséria. Então, se eu tiver de me arrebentar, a solução é me arrebentar e pronto. E saber que não existe outro modo de fazer as coisas chega a ser encantador! E com a mesma calma com que me arrasto insone pela vida eu também sei que não encontrarei absolutamente nada. É essa calma que me amedronta.


Preciso tirar você dos meus dentes. Cuspir suas memórias. Vomitar meus traumas.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

I'm numb

Eu fico aqui parada esperando o dia desabar.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Esses meus dias cinzas
Cigarro e bebida
Febre, torpor
Evitar o vômito
Engolir as palavras
Perder o esmalte das unhas

Esses meus dias cinzas
Miseravelmente só
Sentir o frio
Contemplar o horizonte
Ver a chuva cair

sábado, 15 de agosto de 2009

Vontade de fumar um cigarro sentada na guia, acompanhando a (de)cadência alheia.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Agosto é sempre um DESGOSTO.

domingo, 9 de agosto de 2009

A gente não deve perder a curiosidade pelas coisas

"Às vezes a gente vai se fechando dentro da própria cabeça, e tudo começa a parecer muito mais difícil do que realmente é. Eu acho que a gente não deve perder a curiosidade pelas coisas: há muitos lugares para serem vistos, muitas pessoas para serem conhecidas."
Caio Fernando Abreu

terça-feira, 4 de agosto de 2009

... ou talvez eu só precise de férias, um porre e um novo amor.

Caio F.


segunda-feira, 3 de agosto de 2009

- Putz, hoje eu tô um cu.

- Você é o que você come, champs!

domingo, 2 de agosto de 2009

as pessoas só estão assustadas
não houve tempo e você sabe
as cenas se desenrolam sem um ensaio
sem sequer um roteiro
as pessoas pegam o que têm à mão
se você olha de longe pode perceber o medo
e o em si mesmo curiosamente animal das pessoas

Dirceu Villa – As pessoas só estão assustadas