bueiro, me abrace forte!

domingo, 28 de setembro de 2008

Você partiu. Tentei ser cautelosa ao segurar meu coração nas mãos. Mas fracassei e ele se espatifou no chão. Senti a dor e doeu ainda mais e mais ao ver o sangue se espalhando rapidamente e chegando até as escadas, por onde ele desceu fazendo trilhas, estradas e avenidas. Vermelho e vivo, tanto que me queimou a retina ao ver seu reflexo nele. Do meu coração não sobrou grandes cacos, embora eu quisesse guardá-los para você. Sobrou apenas um buraco no meu peito. Escuro e dolorido. E toda vez que eu grito seu nome à noite esse buraco se dilata e pulsa no vácuo.

sábado, 27 de setembro de 2008

e se questionava se ele, bem ali do seu lado, sentia o mesmo que ela. E se desesperava nos próprios pensamentos. E baixava a cabeça, tentando esconder a aflição. E mordia os lábios e fechava os olhos com força, porque se sentia culpada demais por imaginar tantas coisas em tão pouco tempo... E se perguntava até quando poderia suportar aquela situação. E se perguntando e perguntando não chegou à conclusão alguma. Estalou os dedos, bateus os pé no chão e mexeu nos cabelos. Suspirou, mas sem alívio. Então engoliu o choro e sorriu.

- porque o tempo é curto. e o amor é muito. e ela é lenta. e ele não se toca.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

te quebraram as pernas

e agora estás aí, chorando... fungando descontroladamente. Soluça mais alto. Chora mais. Bota pra fora seu rancor. Sua agonia fora de controle. Admite que és um louco. Admite que te esmigalharam as pernas, os ombros e o crânio. Porque era muito peso e você se achava muito mais forte, mas viste que não. Mas só depois de romper os ligamentos, os tendões... Só depois de constatar a hemorragia interna. Acariciar os hematomas e olhar bem de perto os farelos dos teus ossos brancos... Ah, e lembras também da fratura exposta? Do sangue todo vermelho escorrendo pelo corpo, em ritmo lento. Porque parece mesmo que foi cena de cinema.
Mas ta aí... Se achando ainda com direitos. Empinando teu nariz pequeno. Dizendo que não doeu tanto assim e que vais sobreviver sem nenhuma cicatriz.
Engana-se. Engana-se mais e mais. Todo dia.

domingo, 14 de setembro de 2008

descarga elétrica

AQUELA sensação. A velha sensação...

Passou a corrente pelo meu corpo. O seu tão junto do meu, por muito pouco não virou um só - faltou um quase pra fundir de vez. Saiu pelos poros, entende? Tá, eu sei que é loucura minha. Sei também que fantasio muito. Mas, rapaz, esse teu sorriso ficou comigo. Toda vez que me olho no espelho ele tá lá. Juro, ficou comigo também a sua voz nos meus ouvidos e a tua mão na minha.
Impregnou de tal maneira que no sono você voltou. A voz, as mãos, teus óculos e o sorriso. Tão real que a sensação voltou. Elétrica.

E o sorriso ainda está aqui.