bueiro, me abrace forte!

sábado, 7 de junho de 2008


Seus dedos percorriam a parede. Desenhavam, mesmo sem querer, símbolos místicos. Ela estava desorientada. Desesperada, completamente, desesperada. Há cinco dias não bebia nada, não fumava, não cheirava, não dava e não dançava. “Abstinência, menina” – ela dizia para si mesma. Qualquer ruído a atormentava e fazia sua cabeça latejar. Um sopro gelado alcançou sua nuca. Imaginou que fosse ele com mais uma de suas infantilidades. Mas ele não estava lá - não era o dia de estar. Ele estava comendo outra, certamente. Era sempre assim. No sexto dia ele retornaria. Então, eles desfrutariam de bebidas, drogas, sexo e dança. Lembrou do que seus amigos lhe diziam “isso não é vida, criança”. “Meu cu pra eles” ela então respondeu gritando alto em seu quarto vazio, escuro e triste. Não importava os cinco dias de angústia, de desespero, de solidão. Só importava mesmo o sexto dia. Era apenas isso que ela queria.


- Treze horas para a agonia acabar. E depois, vinte e quatro horas para recomeçar.

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