bueiro, me abrace forte!

sábado, 7 de junho de 2008


Ela acordou. Sorriu para logo livrar-se dessa maldita obrigação. Vestiu seu conjunto preto. Dispensou a maquiagem. Seu café da manhã se resumiu a um pão integral com queijo branco. Nem sequer aquele café amargo que ela tanto gosta. Saiu apressada, era o grande dia. Ligou o carro e acelerou, subiu na guia, deu ré e atropelou a lixeira da vizinha. Ficou chateada por isso, bem que poderia ser a própria vizinha no lugar da lixeira. Baniu o pensamento. Pouco importava. Dirigiu por quase meia hora. Chegou ao estacionamento, calçou sua bota e puxou um cigarro. Era seu último cigarro. Respirou fundo. Tragou-o até o fim. Pisou na bituca. Viu um rapaz se aproximar. Piscou. Ele jogou um beijo. “Estou com sorte”. Tomou uma dose “só pra aquecer”. Seguiu em direção ao elevador.
- Vigésimo quarto, por favor.
- Mas a senhora não...
- Hoje é meu grande dia, Adamastor.
- Quer dizer que a senhora então...
- Vigésimo quarto!
- Sim senhora.
As portas se abriram. Ele estava sentado em sua sala. A velha gravata roxa que não combinava com nenhum terno.
- Acho que esse lugar agora é meu.
- Você não o ocupará por muito tempo.
- Foda-se.
- Você não se envergonha do que fez?
- Você sabe que não.
- Eu deveria matá-la.
- Eu sei.
- Você também sabe que eu infernizarei sua vida?
- Como sempre.
- Desgraçada! Desgraçada!
- Levante-se e sirva-me algo.
- Água ou chá?
- Você...

Beijaram-se.

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