bueiro, me abrace forte!

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Amor

São só mãos, e dedos, e o tremor das pernas. É só um produto sem prazo de validade. São só palavras. É só um sorriso falso, é só um 'eu te amo'. É só uma ligação e um 'Deus te abençoe'. O amor é só uma tormenta, uma areia movediça que quanto mais se mexe, mais se afunda. O amor é só um beijo. É só um abraço. Na maioria das vezes, nem isso. O amor nem diz 'obrigado'. O amor é só uma ferida aberta, uma hemorragia interna, uma infecção para a qual não há antibiótico. É só uma dor que nem a morfina ameniza. O amor é só uma perda de tempo. É só uma recusa. É só uma besteira qualquer. É só uma corda bamba. É só um precipício. É só uma ilusão, uma vertigem, um mal estar nada passageiro. São só reações químicas. É só fisiológico. O amor é só mais uma invenção. É só uma vontade. É só um desejo. É só um olhar perdido. É só uma desculpa sem motivos. O amor é só uma careta feia. O amor é só um 'oi'. O amor é só um calafrio. Só um movimento em espiral. O amor é só uma carta, um e-mail, um scrap. Mas quase sempre, nem isso. O amor passa reto e ignora. O amor é só mais uma brincadeira de mau gosto. É só uma risada. É só um cinismo. É só um desespero, um aperto no peito, é só uma falta de ar. É só um nó na garganta. São só lágrimas de pimenta. É só um choro contido. O amor é só uma navalha. O amor são cicatrizes, pontos, marcas profundas. É só uma sala vazia. O amor é só um monte de coisas, uma infinidade delas. É só algo sem explicação. Só um questionamento inapropriado.

- É só. E só.

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