bueiro, me abrace forte!

sábado, 31 de maio de 2008


Eu venho com uma flor enrolada nos dedos. Não precisa se escorar no poste, hoje eu não vou te machucar. Você anda sofrendo tanto quanto eu, mas hoje eu te trouxe uma flor enrolada nos dedos. Deixa eu arrancar um sorriso bobo do seu rosto - "deixa eu te deixar sem graça". A gente senta aqui no chão e brinca de juntar os cacos dos nossos corações. "Dois prá lá e dois prá cá" e os que estiverem mais pesados eu mesma recolho... A gente fica aqui brincando de amizade, de cumplicidade, manchando a cara com todo esse sangue. Faz uma careta feia e esqueça que amanhã é sexta-feira. Fique calmo e faça silêncio agora que a chuva está caindo, encosta sua cabeça na minha e deixa meu cabelo molhar o seu. Deixa a chuva lavar esse sangue todo, meu amor.

- Fica sentadinho, L. Esse tamanho todo não significa nada. Você sofre tanto quanto eu.

sábado, 3 de maio de 2008


Talvez algum dia você venha a ler isso. Ou não. Tanto faz. Não faria diferença mesmo... Você continuaria se fingindo de desentendido. Você tão afiado, não é possível que já não tenha notado. Não apenas notou, mas também continua jogando com a minha mente. Estufa o peito e desfila e rodopia, faz questão de pousar a mão sobre meu ombro com força e a desliza pelas minhas costas. Olha para mim quando não estou olhando e disfarça. Você faz tudo isso com um sorriso divertido. Parece ser divertido mesmo zombar de mim. Então, continue. Continue me matando aos poucos. Caia sobre mim e esmague, me torça e me rasgue, role sobre mim e me esfole, deixe-me aos farelos. Farte-se da minha carne e me largue sozinha na estrada, como sempre. Talvez um dia acabe, ou não.
- Agora pode ir. Vai lá comer alguém.