bueiro, me abrace forte!

sábado, 15 de março de 2008


Parei no ponto de ônibus. Enquanto aguardava minha condução, fiquei contemplando nuvens pesadas que passavam no céu e, de repente, comecei a imaginar quantas pessoas, como eu, estariam naquele momento imobilizadas dessa maneira. Nenhuma, concluí. Meus pensamentos foram para longe quando um trovão ressoou. Despertei do quase transe. Acabei rindo da minha própria tolice. Comigo riu também um rapaz que me observava do outro lado da rua. Talvez estivesse rindo de mim. Não sei. Preferi conter meu riso desajeitado. Mas ele continuou sorrindo, maliciosamente. Corei e desviei o olhar. Voltei a admirar o céu, mas nuvens negras já o haviam preenchido completamente. Sentia-me incomodada com aquela situação. Não passava ônibus, o temporal precipitava-se e o sujeito continuava ali, na mesma posição, com o mesmo sorriso. Minha irritação agravou. Alguns minutos transcorreram e eu me encontrei encharcada. Mas isso ainda poderia piorar. Assim, decidi caminhar... Eu já não precisava de ônibus, eu já não precisava daquele olhar desafiador que vinha do outro lado da rua. A raiva em mim aumentava, gradualmente, quando lembrava como eram verdes e divertidos os olhos daquele rapaz. Definitivamente eu não precisava disso, afinal, eu só queria contemplar o céu e as nuvens enquanto esperava meu ônibus chegar. Minha mente ficou presa àquele momento, e então, escorreguei e caí. Sim, tudo indicava o quão perfeito meu dia iria terminar. Apoiei minhas mãos ensanguentadas no chão e me recompus. Restavam apenas um quilometro até minha casa. Apenas um quilometro. Eu mancava, sangrava e praguejava...
Finalmente após um século e meio (aproximadamente), eu cheguei em casa. Eu somente desejava três coisas. Primeira coisa: banho. Segunda coisa: sopa. Terceira coisa: sofá. Das três, eu apenas consegui a primeira e fiquei igualmente contente. Ao menos banho eu tive.
Amanhã será outro dia - tão ruim quanto esse, espero.

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