bueiro, me abrace forte!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Encostada à parede do bar lá estava ela. Tinha nas mãos uma carta amassada, que há muito tempo desejava entregar para um rapaz que frequentava o bar. Porém, como todos sabem, ela jamais o faria. Não era sua culpa, era apenas medo. Um medo infantil, besta e talvez insano... Ela era cheia de paranóias e achava (na verdade, tinha plena certeza) que nenhum homem um dia iria gostar dela... Assim ela permaneceu o dia todo, até suas pernas cansarem. Então, mesmo lutando contra a fadiga do corpo, ela foi vencida. Sentou-se finalmente. A carta estava úmida pelo suor da sua mão, e pouco poderia ser lido agora. Já caíra a noite e uma garoa precipitava-se. Mas a garota permanecia ali, inalterada, alheia à chuva que se tornara torrencial, alheia ao mundo inteiro, incluindo cada criatura viva. Por fim, resolvida de que nada aconteceria, levantou-se, caminhou até a lixeira mais próxima e lá lançou o papel úmido e amassado (que a essa altura estava com grandes rasgos também)... Prosseguiu com seu andar pesado e lúgubre em direção a qualquer local que pudesse vender uma grande xícara de café expresso. Café! Era apenas isso que precisava. Bem forte e sem açúcar... Só isso para compensar mais um dia de anonimato diante daquele cara tolo, incapaz de ler nos olhos dela tudo o que continha naquela carta que nesse momento jazia numa lixeira estúpida (não que este não fosse um bom lugar, pensou).
Sem dúvida ela não fazia o tipo sensível, carente, ou qualquer coisa parecida. Não! Era apenas boba, mais uma boba com mais uma carta de amor que nunca foi entregue...

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