bueiro, me abrace forte!

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Passei a noite tateando no escuro, procurando você. Sabia que a sua lembrança continuava viva em mim de algum modo. Era engraçado como eu me lembrava das suas doces palavras misturadas ao mesmo tempo a antigos ressaibos amargos e aos seus beijos enquanto eu tentava - em vão - me esquivar. Era cruel o modo que o seu abraço me deixava sem fôlego e o quanto eu gostava daquela sensação, enquanto você me segurava nada delicadamente junto ao seu corpo ou quando tocava meus joelhos ossudos. Era estranho que mesmo depois de me lembrar que você nunca estivera - e talvez nunca estaria - ali, continuei apalpando a escuridão, meus dedos cruzando aquele breu, incertos. Minha confusão aumentava - eu acho que sou sonâmbula - e adormeci me sentindo nos seus braços. Mas a manhã veio e você não estava com ela...

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Encostada à parede do bar lá estava ela. Tinha nas mãos uma carta amassada, que há muito tempo desejava entregar para um rapaz que frequentava o bar. Porém, como todos sabem, ela jamais o faria. Não era sua culpa, era apenas medo. Um medo infantil, besta e talvez insano... Ela era cheia de paranóias e achava (na verdade, tinha plena certeza) que nenhum homem um dia iria gostar dela... Assim ela permaneceu o dia todo, até suas pernas cansarem. Então, mesmo lutando contra a fadiga do corpo, ela foi vencida. Sentou-se finalmente. A carta estava úmida pelo suor da sua mão, e pouco poderia ser lido agora. Já caíra a noite e uma garoa precipitava-se. Mas a garota permanecia ali, inalterada, alheia à chuva que se tornara torrencial, alheia ao mundo inteiro, incluindo cada criatura viva. Por fim, resolvida de que nada aconteceria, levantou-se, caminhou até a lixeira mais próxima e lá lançou o papel úmido e amassado (que a essa altura estava com grandes rasgos também)... Prosseguiu com seu andar pesado e lúgubre em direção a qualquer local que pudesse vender uma grande xícara de café expresso. Café! Era apenas isso que precisava. Bem forte e sem açúcar... Só isso para compensar mais um dia de anonimato diante daquele cara tolo, incapaz de ler nos olhos dela tudo o que continha naquela carta que nesse momento jazia numa lixeira estúpida (não que este não fosse um bom lugar, pensou).
Sem dúvida ela não fazia o tipo sensível, carente, ou qualquer coisa parecida. Não! Era apenas boba, mais uma boba com mais uma carta de amor que nunca foi entregue...