bueiro, me abrace forte!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008


Cacos espalhados pelo chão denunciam o meu desequilíbrio. Acho que já quebrei todas as taças, ri de todas as minhas desgraças, tomei os goles proibidos e desejei todos os beijos secretos... Já lancei golpes e mesmo assim desisti das batalhas.
Deitada no chão, à luz da lua, meus sonhos enegreceram. Agora encubro tudo com versos pintados, versos esculpidos sem talento algum, tentando desfazer o não feito, apagando o escuro para errar novamente.
Quero errar de novo, eu preciso errar! Sentir a dor, o gosto amargo de mais um dia sem calor... Com frieza, aspereza, sem poder escorregar, sem nenhum pedaço de perfeição, sem os sonhos molhados...
Só, e somente só, a melancolia dos acordes e o brilho distante da lua. O uso perverso dos meus sentidos e o desejo intenso de perdê-los e vagar nos caminhos ocultos. Sem paredes, sem lembranças, apenas pelo prazer de não ter dúvida...
Na lascívia que se confunde com carência, tudo é passageiro. Desejo de nada, vontade de tudo... Foram ações reprimidas que me direcionaram, numa tentativa de fuga, para a bebida. Uma rebeldia idiota, que às vezes irrita, e também uma melancolia natural, rotineira. Todos os meus pensamentos me remetem a um clima de falecimento. O infinito não existe, a vida não passa de um confuso sonho. O amanhã nem sempre poderá existir, mas infelizmente, existe.